quinta-feira, 11 de outubro de 2007

ROTEIRO Meu roteiro é este instante. A nuvem de hoje não volta, mesmo que o vento persista em sua fúria interior, só vinga, além do círculo do olhar, a espessura da escuridão. Ninguém é completo... Por isso busco na estrutura do momento as banalidades que enfeitam o cotidiano e tento ignorar os deboches, que se disfarçam, na fantasia das manhãs sem ritmo. A febre continua a me ofuscar com sua estrela que tem como cio o ápice da primavera, aquela sensação inatingível, que se busca no clímax do silêncio. Quantos grilhões ainda por quebrar... O guindaste tem a força do ferro para vencer a moral que graça nos quintais, rente aos telhados, e os dedos têm a sutileza das pontas a roçar os seios, sem saber onde expandir (pra dentro ou pra fora?)... A alma se rende à inquietude: perguntas sem respostas, anseios que não se mostram... tudo demasiado humano. E os passos, na poeira, seguirão em busca do mistério, tentando driblar aquela ansiedade que destrói o dia e espera por um novo sol.
Basilina Pereira

Um comentário:

Érico disse...

Fessora Basi.... Quantas maravilhas! Na minha incipiência estou tentando captar a intensidade das palavras. Ainda estou sobre o efeito da surpresa. Tenho um longo caminho a percorrer... Abraços e beijos!!!!!!