sexta-feira, 18 de abril de 2014

VIDA


VIDA
 

A vida. Um grito perplexo,

quase feliz,

no escuro frio de um corredor.

A vida é mais que um coração pulsando,

mais que um corpo,

que um sobressalto,

um desejo adormecido,

submisso...

Pode até ser fluida

e dissolver-se em estranho cortejo,

mas é no lume do seu fio

que ela brota líquida, veloz,

vibra em tortuosos labirintos,

e se reinventa,

abrindo uma clareira no mistério.

 

Basilina Pereira

quarta-feira, 16 de abril de 2014

DESVARIO


DESVARIO
 

Sensação de turbulência!

É como se o plasma da alma

comesse do fruto proibido.

Alquimia profunda: o outro lado do êxtase,

orgia quebrantada no direito de errar.

Há um lapso de tempo

entre a perda da inocência

e o outro lado,

que é puro desvario.

Beber o momento é inerente,

assim como adiar é fugir,

é recusar aquela gota de tempo

em que a porta se fecha e o instante é único.

E não adianta furtar-se à vida:

esse invólucro cheio de desafios.

 

Basilina Pereira

sábado, 12 de abril de 2014


AS SEMENTES

 

Não há nenhum espaço vazio,

mas a inquietação ronda,

esgueira-se,

em busca de execrar o tédio.

Aquele mesmo:

inexpressivo e tenebroso,

feito das caliças da alma

e que aparece no meio da noite.

Um poema pelo avesso,

uma resposta vazia

que veio antes da pergunta.

Ter tudo e querer mais

é o mais prosaico dos anseios

que espera remissão.

Entre o riso e o pranto – o pesar

pelas sementes que não germinaram.

 

Basilina Pereira

terça-feira, 8 de abril de 2014

SEM ENREDO


SEM ENREDO

 

Plantei minha história no vácuo,

deixei-a suspensa no ar,

pensei numa forma inédita

pra ela não desabar.

 

Veio a tarde e seu mormaço

levou minha história no vento

e seus olhinhos já mudos

viraram só pensamentos.

 

E foi pensando...pensando...

em tudo que há além do  olhar,

talvez um poema de amor...

e comecei a rabiscar.

 

Mas primeiro quis palavras

histórias sem elas não há,

depois veio o ritual

e o resto se cumprirá

 

desde que haja noite, lua,

 estrelas no céu a brilhar,

e um poeta apaixonado

com muitos versos pra rimar.

 

Basilina Pereira

domingo, 6 de abril de 2014

OÁSIS


OÁSIS

 

Lembrando aquele vulto,

hoje apenas uma sombra remota,

pergunto-me: em que deserto eu me perdi

e permiti que aquele amor subisse ao ápice?

E foi um sentimento sem retorno,

vastidão... areia

e uma alma prenhe de dor.

_ Seria melhor não ter sentido e não saber?

.................................

Um lampejo resiste ao tempo.

Penso que há algumas coisas que transcendem...

 

Basilina Pereira