segunda-feira, 25 de julho de 2016

MOTIVAÇÃO



MOTIVAÇÃO

Era outono. Ainda é.
Mas qualquer coisa que move as estações
fez com que os barcos ancorados na solidão
zarpassem mundo afora em busca da primavera.
É verdade que no Hemisfério Sul
o inverno antecede o tempo das flores,
mas quem se importa em atravessar o frio e a neve
quando o coração está agasalhado?

Basilina Pereira

quinta-feira, 21 de julho de 2016

PROVÉRBIO CHINÊS




PROVÉRBIO CHINÊS.
“É melhor acender uma vela do que maldizer as trevas.”
Palavras...palavras...
Façam adormecer as tristezas,
e cubram de riso os motivos avessos
que derramam sombras onde deveria florir a luz.
A noite só é bela se pontilhada de estrelas
e haverá outros caminhos para tatuar no tempo
as farpas que não cabem no verso
nem conseguem acalentar a poesia.

Basilina Pereira

quarta-feira, 20 de julho de 2016

AMIGOS



 
AMIGOS

Eles salpicam o meu painel de estrelas,
acenam com o lenço da chegada
pra suavizar a partida,
fazem-me lembrar que o canto
não só rima com encanto,
mas dissipa mágoas, adoça a vida.
Nesse estreito que se chama caminho
não se consegue avançar sozinho
nem compor a  música de  uma nota só.
São pequenas alegrias e momentos,
gestos suaves, divisão do sentimento,
que vencem o egoísmo, de verdade,
e constroem, gota a gota, a felicidade.

 Basilina Pereira


sexta-feira, 15 de julho de 2016

ENCANTO





ENCANTO

O poeta renova o ar dos pulmões,
reverte a incidência da luz
e penteia a palavra pelo avesso
para que o verso, quando aflorar,
traga todo o encanto
do ipê em floração.

Basilina Pereira

quarta-feira, 13 de julho de 2016

HERÓIS



HERÓIS

Estão ali: plantados no lugar mais remoto de cada um
o esplendor de sua espada,
o encanto de suas palavras,
o seu poder sem limites.
Sob seu comando, deuses se transfiguram
e descem do Olimpo, em compaixão,
para suprir a fraqueza do homem.
É sua missão preencher o vazio
incrustado na palavra sem pés
e criar a ilusão de que se pode dobrar o tempo
e prendê-lo na lapela dos sonhos.

Basilina Pereira

segunda-feira, 11 de julho de 2016

MUNDO DE CRIANÇA



MUNDO DE CRIANÇA

O lampião guardava nossos silêncios,
discreto, como se adivinhasse os pensamentos
que vibravam pelos cantos de quase sombra.
Se uma palavra ousasse mostrar seu voo, ele ignorava,
estava ali como um poema que ninguém lê
ou uma joia que não se usa mais.
No meu mundo de criança,
eu assistia a tudo e imaginava
uma nuvem de vaga-lumes bebendo sua luz
e virando estrelas.

Basilina Pereira