terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

MOSAICO



MOSAICO

Uma manhã amarrotada,
um pedaço de tarde,
enganchados no passo que titubeia,
quer acelerar
sem saber ao certo o caminho do porto.
A vida desfila na corda bamba,
equilibra-se entre a chegada e a partida
nos sorrisos que sugerem estrelas,
no abraço que revigora o espírito,
e na alegria que, vez por outra, pede passagem.
Os sentimentos sem nota desenham o perigo,
tal qual o escuro
que esconde o céu e cega a estrada.
Assim, um mosaico de dias vai sendo montado:
cada um escolhe o formato e a cor
conforme a música da sua alma.

Basilina Pereira

domingo, 7 de fevereiro de 2016

OS MENINOS



OS MENINOS

O menino de pedra
congelou o sorriso,
arqueou os braços
e pousou no centro da fonte
onde os desejos são alimentados
com gestos de galhos efêmeros,
bem ao alcance do perigo.
O menino da bicicleta
persuadiu os pedais
a riscar círculos no ar
amplos, repletos de sol,
como o sorriso da flor
que abre a cortina da manhã.
E assim ambos, enfeitados de alegria,
ofuscaram o céu nublado
e plantaram cores no jardim.

Basilina Pereira

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

O ÚLTIMO VOO DA ESPERANÇA



0 ÚLTIMO VOO DA ESPERANÇA

Um vento azul acorda a manhã
e beija de leve o orvalho
que reflete os pingos do sol.
Pedaços de silêncio serpenteiam na superfície da folha,
onde um verde líquido afaga a esperança
em seu pouso final.
O último sopro de vida tremula em sua asa pouca,
a mesma que há pouco riscou o espaço
em bailado sofrido e curto.
É a vida que se despede em forma de poesia.

Basilina Pereira

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

FORA DE ALCANCE



 
FORA DE ALCANCE

Às vezes a gente se dá conta
de que um sentimento estrangeiro
abre caminho por entre a respiração.
Cresce ligeiro, apropria-se
e por mais que brilhe o lume da enxada
ele não se deixa carpir.
Doce tormento! alegria feita de lava
de quem pressente a resposta,
mas não ousa fazer a pergunta.

Basilina Pereira

domingo, 31 de janeiro de 2016

QUIMERAS



 
QUIMERAS

Uma mão livre no espaço,
uma canção solta no vento
e a vontade
de saltar sobre os canteiros,
beber da fonte em que um dia
a alegria se banhou.
São tantas horas perdidas,
muitos dias sem fulgor
e a vontade
de voar com as borboletas, 
ser asa em forma de flor,
a palavra que acende
a chama que gera o amor.
Um poeta assim, perdido,
nas veias do sentimento
busca no verso onde orbita
qualquer gota de poesia
para salvar o momento.

Basilina Pereira