quinta-feira, 7 de maio de 2015

UM POUCO DO QUE É SER MÃE

Se eu não fosse mãe
por certo não saberia...não,
com certeza não saberia:
o que é amor incondicional
e o que é nunca estar pronta para a missão mais importante.
Se mãe eu não fosse,
não entenderia o que é ser plena na insegurança,
nem poderia transcender...
que o limite desse elo é o infinito.
Quando o corpo se desdobra em outras vidas,
é que alma foi enfim multiplicada.

Basilina Pereira

domingo, 3 de maio de 2015

SEM MEDIDA

No segredo da noite desfolho a imaginação,
libero as sensações que brotam sem censura,
escorrem por dentro da pele,
até desaguarem num louco poema.
Pode ser que suas letras nunca se ajustem,
que o verso não atinja a medida certa,
mas o que dizer da rima que me traz
o calor da sua mão?

Basilina Pereira

quinta-feira, 30 de abril de 2015

PERCEPÇÃO

Do lado de dentro o mesmo rebuliço
que o sentimento não tem avesso nem forma.
O exterior é campo pisado:
é onde a brasa dança sozinha sobre o feno
e desenha os arabescos
que a vida vai deixando à margem dos dias.
Ao poeta cabe assistir a tudo
de sua janela solitária
e transformar em versos, sem machucar
os sonhos congelados nas artérias da alma.

Basilina Pereira


quarta-feira, 29 de abril de 2015

UM NOVO POEMA

Quando penso que tudo já foi dito,
tenho vontade de parar as estações,
mas logo alguma coisa canta no fundo da alma
e acorda os sons que dormem nos beirais.
Enquanto isso, figuras inéditas se mostram
para emoldurar o silêncio que descansa.
Num lapso de segundo,
o mundo real não está mais aqui.
Mesmo sem entender os sinais,
deixo-me levar pelo giro da roda:
quem sabe na outra volta
um novo poema se desprenda sua luz.


Basilina Pereira

quarta-feira, 22 de abril de 2015

DIVAGAÇÕES
I
A poesia é como o relâmpago:
fulminante, única, imediata.
Se o vento sopra mais forte,
lá se vai ela, com ares de nunca mais.
II
O amor também é arisco,
exigente. Chega a doer sem dor
e retorna poucas vezes
como um cometa que já passou.
III
A confiança, mais que tudo,
é a pedra que se equilibra no fio da seda,
se cair é como se o elo evaporasse
por não ter mais onde pousar.
Basilina Pereira

terça-feira, 21 de abril de 2015

BRASÍLIA

Uma cidade que canta,
que chora, trabalha e paga o preço
de ser detentora da chave e da mão.
Bela em sua silhueta de voo,
congrega os sotaques que ressoam de norte a sul do país
e sintetiza as cores da África, do Velho Continente,
que, miscigenadas, desfilam sob o sol do Planalto.
Por suas longas avenidas transitam carros e sonhos:
os daqueles que vieram em busca de novos campos
e os de quem viu, ao nascer,
este céu detentor de um azul singular.
De seus palácios emana o poder
e à sua volta palpitam as emoções e os anseios
de todos que acreditam, que querem mais.
Mais dias promissores
cuja essência tenha por raiz e polpa
os acordes da verdade e da ética.


Basilina Pereira

domingo, 19 de abril de 2015

BRASÍLIA, MINHA CASA

Uma homenagem pelos 50 anos da Capital

Foi difícil amar Brasília, confesso.
Seu jeito de princesa pós-moderna,
tão longe da minha pequena cidade!
suas retas sisudas,
embebidas em cimento queimado,
como se quisessem petrificar o horizonte.
Algumas curvas...sim,
mas de aparência tão gélida,
que eu conseguia sentir seu frio na retina.
Mas pouco a pouco, suas facetas foram se mostrando,
e eu fui me encaixando na textura do cerrado,
e sendo tomada por um céu tão azul
que custava a caber na palavra.
E os ipês então? de fazer inveja aos girassóis.
Foi aí que me rendi
e hoje, Brasília é a minha casa!

Basilina Pereira