quarta-feira, 2 de setembro de 2015

QUE VENHA



QUE VENHA!

Que venha a primavera,
meu coração está florido.
Já limei pedra de rio
e do limo fiz as cores,
já passei susto nos grilos
e em seus olhos só vi luz.
Nas asas do beija-flor
pensei plantar meu sorriso
quem sabe nasce uma música
ou um poema de luz?

Basilina Pereira

domingo, 30 de agosto de 2015


A MÚSICA



A música desdobra o sentimento,

resgata pedaços de memórias

e acalenta a emoção.

Acordes permeiam a sensação que aflora,

bailam sobre as nesgas do silêncio

e depois  de dialogarem entre si,

repousam na aba do sentimento.

Não importa o timbre da voz,

nem o alcance da palavra ,

a música ultrapassa o entendimento,

ela é a poesia do som.




Basilina Pereira






segunda-feira, 24 de agosto de 2015

A VERDADE

A palavra mutilada morre à míngua,
antes que o poema ganhe forma.
A poesia não se constrói de pedaços,
mas de sonhos, inteiros, vestidos de amor.
A palavra que prospera é aquela
com requinte de torrão nativo
e mesmo longe, exilada e esquecida
guarda a verdade, qual o esplendor do diamante.
A palavra que floresce é seiva viva
que não se dobra ao inverno e ao vendaval,
é água perene que garante a foz do rio.
Sem a firmeza não há chão para plantio
nem a colheita, alento de todo dia.

Basilina Pereira


quinta-feira, 13 de agosto de 2015

DOBRAS DO TEMPO

Os relógios pastoreiam o tempo,
mas é a ansiedade que indica
se a hora comeu os minutos
ou os embalou
para transformá-los em segundos,
quando a memória exigir urgência
e a emoção insurgir-se contra a espera.
Há que se entender os amantes,
quando lançam sua redes fendidas
na esperança de que o sentimento tenha seu próprio tear.
A neve branqueia o quanto há sobre o solo,
como o sol derrete o rio entre as margens prudentes e rijas,
só não faz voltarem os dias
em que os sinos badalavam canções amenas
e recordar era apenas um gesto, sem nuances de pesar.

Basilina Pereira

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

O AMOR

O amor é o sentimento dispensa adjetivos.
É como a pérola que tem brilho cativo,
mas requer cuidado como a flor
do ninho
que, desamparada, clama por carinho.
É mesmo fogo que ilumina a noite escura
quando os olhos buscam a chama da ventura,
é a insegurança toda da paixão
que flameja e arde à entrada do coração,
quando a saudade evoca a luz do bem querer
e o que se espera é a emoção ao entardecer.
Por essa aleia já desfilaram poetas
os grande e os pequenos cantaram o que nos afeta:
toda a incerteza desde o êxtase até a dor,
mas se amar é o brilho que incita e acalma,
que seja inteiro esse fulgor que vem da alma.


Basilina Pereira

quarta-feira, 29 de julho de 2015


Neste fim de noite, um poema bem colorido.

ÍMPETO DAS CORES

A manhã rodopia em lilás
como se o céu tivesse sido pintado
pelo voo dos passarinhos.
O vento espalha todos os o tons
que conseguiu captar no crepúsculo
e, com suavidade,
enfeita o brilho da aurora.
Retalhos de nuvens absorvem o dourado do sol
e, em grande liberdade,
oferecem repouso para olhos cansados.
E, no ímpeto das cores, tudo é possível
para quem tem a coragem de sonhar.

Basilina Pereira

segunda-feira, 27 de julho de 2015

COMO O SILÊNCIO DAS PLANTAS

Tal qual uma espiga madura,
o que se exibe é o lado de fora.
O interior, esse mundo submerso,
segue camuflado como o silêncio das plantas
e o mundo avança, cúmplice
dos segredos que se escondem num vapor de luz.
O pensamento teima em faiscar: quer o poema sem fissura,
mas tudo isso está fora do alcance do poeta:
seu limite é o próximo verso
e a esperança de que a palavra transborde.

Basilina Pereira