quinta-feira, 6 de outubro de 2022

 

CENA URBANA

 

Os edifícios vão acordando aos poucos:

espreguiçam e logo espicham os olhos

para o burburinho que lhes cobre os pés.

Luzes verdes, amarelas, vermelhas

vão arbitrando o ritmo e a paciência

de quem acordou cedo, passou manteiga no jornal

e engoliu as notícias sem mastigar,

no afã de afanar alguns minutos.

Sob as marquises,

a impaciência e a inércia convivem lado a lado.

Ali o frio é sempre maior que a esperança.


Basilina Pereira


terça-feira, 4 de outubro de 2022

 

NAS ENTRELINHAS

 

Eu escrevo poemas

e na falta do que fazer com eles,

semeio-os em páginas diversas,

seja no papel ou na tela de um computador,

 na esperança de que uma comporta se abra

e eles peguem carona no fluxo de alguma rede social.

É um caminho meio árido,

sem a emoção do encontro, sem o brilho do olhar

sem o calor do abraço, trocado à guisa de aconchego.

Inundo meus dias de poemas e eles fertilizam a minha vida...

Fazem-me sentir o movimento do afeto

 que, vez ou outra, recebo,

como sinal de que a correnteza fluiu, de algum modo.

 Amigo leitor, se algum dia você encontrar um desses poemas,

descasque-o: eu estarei nas entrelinhas!


Basilina Pereira