segunda-feira, 26 de junho de 2017

CALOR DO NINHO

CALOR DO NINHO

Amputaram minhas certezas
sem vedar-me os olhos.
Todo aquele calor no peito,
matizes de luz e sombra,
levantaram âncora à revelia de meus apelos,
deixando para trás um vazio que nenhum vento preenche,
um silêncio abarrotado de lembranças
e uma pergunta que deu meia volta e afundou.
Atrás da casa, um ninho verdeja entre os ciprestes.
Dentro dele, uma alegria possível lateja,
vou calçar os sapatos,
quem sabe eles aquecem por dentro.


Basilina Pereira

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