quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

 


ÀS VÉSPERAS DO NATAL

 

Mergulho em uma noite de dezembro,

talvez em busca, sim, do que me lembro

daquele tempo simples de criança

em que floria farta uma esperança.

 

Ela, a esperança, eu via em cada membro,

germinando quais flores de setembro,

Natal era sinal de comilança,

presentes, alegria e só bonança.

 

Hoje percebo muitas diferenças:

punhais acesos brilham sobre as mesas

e enterram as estrelas sob os pés.

 

Tolerância, perdão e bem-querenças

são palavras abstratas, indefesas,

mas precisam suster quem sou...quem és.

 

Basilina Pereira

 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

 

ITINERÁRIO

 

Adoro coser as nuvens,

uni-las aos desenhos que salpicam nos telhados,

na grama do jardim

e depois exibir, em perfeição,

o tapete que minha mente vai construindo sem pensar.

No escuro da noite, não há distâncias

e as diferenças não são notadas

por olhos que comem canudos de espinho

e querem devolver folhas secas em pleno verão.

Em noites de estrelas, recolho silêncios;

cuido para que se mantenham na segurança do abrigo,

esqueço as lágrimas e as despedidas.

Se meu tapete resistir aos raios da aurora

é porque avancei um passo

e o dia estará salvo para receber as cores.

Basilina Pereira


quarta-feira, 23 de novembro de 2022

 

A ESTRADA

 

Ela é feita de barro e sonhos,

com alguns seixos por acréscimo!

Se pensas que não haverá curvas,

subidas íngremes e penhascos abruptos,

enganas-te!

A estrada te domina, não é o oposto.

Cada pedaço que palmilhas,

é um passo adiante, com certeza,

mas quantas vezes temos de retornar,

por trilharmos o caminho errado?

Se viemos do pó, é dele que devemos cuidar,

pois além de tudo, há um mistério que nos desafia:

não saber até quando...

Basilina P


ereira

sábado, 12 de novembro de 2022

 

POETRIX

 

Eu sempre quis ser poeta: este ser indefinido

que solta a palavra no vento e depois a recolhe,

sem perguntar por onde ela andou.


Basilina pereira


quinta-feira, 6 de outubro de 2022

 

CENA URBANA

 

Os edifícios vão acordando aos poucos:

espreguiçam e logo espicham os olhos

para o burburinho que lhes cobre os pés.

Luzes verdes, amarelas, vermelhas

vão arbitrando o ritmo e a paciência

de quem acordou cedo, passou manteiga no jornal

e engoliu as notícias sem mastigar,

no afã de afanar alguns minutos.

Sob as marquises,

a impaciência e a inércia convivem lado a lado.

Ali o frio é sempre maior que a esperança.


Basilina Pereira


terça-feira, 4 de outubro de 2022

 

NAS ENTRELINHAS

 

Eu escrevo poemas

e na falta do que fazer com eles,

semeio-os em páginas diversas,

seja no papel ou na tela de um computador,

 na esperança de que uma comporta se abra

e eles peguem carona no fluxo de alguma rede social.

É um caminho meio árido,

sem a emoção do encontro, sem o brilho do olhar

sem o calor do abraço, trocado à guisa de aconchego.

Inundo meus dias de poemas e eles fertilizam a minha vida...

Fazem-me sentir o movimento do afeto

 que, vez ou outra, recebo,

como sinal de que a correnteza fluiu, de algum modo.

 Amigo leitor, se algum dia você encontrar um desses poemas,

descasque-o: eu estarei nas entrelinhas!


Basilina Pereira






 

 

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

 A ORQUÍDEA

 

A orquídea, todos sabem, vem das matas,

enfloresce, enobrece a primavera,


traz perfume, revela a forma inata

e fulgor que reduz qualquer espera.

 

No orquidário, reluz assim: cascata

de nuances que até se faz quimera,

seu labelo enfeitiça e arrebata

a graça de outra flor. Também pudera!

 

Seu cultivo é sensível, mas compensa

todo esforço e desvelo dispensado,

no trato regular, requer pendor.

 

Suas pétalas trazem cor intensa,

as sépalas se fecham com cuidado

e a natureza exibe um esplendor.

 

Basilina Pereira