segunda-feira, 26 de maio de 2008

O JARDIM

O JARDIM A gente passa pela vida ora amando ora sofrendo por um amor. Uma vez me perguntaram o quanto eu era feliz amando e como enfrentava os delírios da dor. Respondi que meu jardim era sempre verde, mas muitas vezes não tinha flores. Há quem saiba apreciar o verde e também os que não vivem sem as flores. Eu admiro todas as flores mas aprendi a amar a orquídea. Ela floresce apenas uma vez ao ano. Sua flor é exuberante e seu perfume...ah o seu perfume! Sua floração dura mais tempo que outras talvez para compensar a longa espera. Basilina Pereira
PALAVRA (QUE)BRADA Ás vezes é quase nada só uma noção de sentido, um sentimento doído de uma frase mal falada envolta e jogada ao vento folhas de verdes dormentes que com o vigor da semente dilacerara o sentimento. Relâmpago na madrugada risca o olhar e queima a pele palavra (que)brada fere se não for dimensionada, age qual vela partida com luz própria, feito brasa, queima o sonho e dobra a asa, devora com letra a vida. Basilina Pereira

TARDE DE DOMINGO

TARDE DE DOMINGO A tarde na varanda desafia a minha imaginação. A rede silenciosa e cansada recusa-se a colaborar, esticada em seus punhos de algodão doce. Os pássaros do jardim, em tarde de gala, executam seu pequeno concerto vesperal sob a regência de um colorido bem-te-vi, a percussão do “fogo-apagou”e o coral de inúmeros pardais. Borboletas amarelas desenham círculos entre as orquídeas, pousando aqui e ali em sua jornada simples e óbvia. O vento parece ter se escondido nas cavernas tamanha a quietude das folhas... E eu me sinto parte desse mundo e pergunto a meus pensamentos como semear este momento de paz? Basilina Pereira

sexta-feira, 9 de maio de 2008

AS HORAS

AS HORAS Escuto a linguagem da noite como se buscasse no tempo os sonhos incandescentes que desafiam o tic-tac do relógio. Além do orvalho esquivo que se recusa a regar meus pensamentos despontam lembranças comuns tão mutáveis, mas assim mesmo tão iguais. Na penumbra das horas vagas formas deságuam de meus olhos sem estrelas e seguem o rastro das gaivotas. Procuro a voz no silêncio:presa, ensaio um canto obscuro pra que a brisa retorne com seu eco, mas o som que volta é oco, é pouco. Basilina Pereira

O EIXO

O EIXO Neste mundo aportamos sem mares, sem caravelas, nada diz porque chegamos a este beco de vielas. E o caminho aí começa sem manual de instrução tudo é longe, haja pressa, correm os pés e as mãos. Numa aventura tão ampla o corpo reclama a rede e a alma, às vezes, descampa solitária em sua sede. Uns chegando outros partindo sem saber como e por quê e os degraus vamos subindo pra onde não sei dizer. E o segredo assim persiste além do tempo e da hora há quem nos campos insiste e os que partem sem demora. Cogitam tantos desfechos dessa viagem sem par só não decifram o eixo que faz a roda girar. Basilina Pereira

CAMUFLAGEM

CAMUFLAGEM Não sei se a dor chegou com a tarde ou com o vento que balançou as cortinas do tempo e fez voar a poeira que parecia dormente, camuflada entre os lapsos de silêncio. Ou talvez ela tenha voltado pra espantar o limbo que vivia a escoltar meus pensamentos perdidos entre o resto de memória. O tempo é traiçoeiro. Se por um lado ele eterniza momentos desafiando o muro dos séculos, há o perigo incrustado nos enredos efêmeros quando o corpo e o espírito submissos descuidam da tessitura do veio, fazendo com que a música se apague. São fios de uma mesma meada que tecem o começo e o fim, em descompasso, quando a alma não resiste e sons emaranhados sopram o fogo que torna o horizonte encharcado e escuro como uma explosão nuclear. Sentimentos perdidos, anseios quebrados, por que regressam? Estavam tão bem guardados! Basilina Pereira

domingo, 3 de fevereiro de 2008

MANHÃ de CARNAVAL

MANHÃ DE CARNAVAL Quem nunca sonhou um dia com uma bela fantasia, brilho, luzes, aquarela, como se vê na novela? Leveza das bailarinas com asas de purpurina, confetes no coração liberando a emoção? Na passarela da vida temos muitas avenidas uma retas, outras tortas, o que vale é achar a porta, aquela que dá passagem ao nosso grito de coragem e liberta a alegria que almejamos todo dia. No labirinto da alma minotauro pede calma é preciso ousadia pra vestir a fantasia e dançar aos quatro ventos a marchinha do momento, espalhar sorriso e graça, dormir no banco da praça, dançar com a mulata louca, não perder beijo na boca, mesmo que a manhã seguinte só traga a rua e o pedinte. Basilina Pereira