quarta-feira, 23 de novembro de 2022

 

A ESTRADA

 

Ela é feita de barro e sonhos,

com alguns seixos por acréscimo!

Se pensas que não haverá curvas,

subidas íngremes e penhascos abruptos,

enganas-te!

A estrada te domina, não é o oposto.

Cada pedaço que palmilhas,

é um passo adiante, com certeza,

mas quantas vezes temos de retornar,

por trilharmos o caminho errado?

Se viemos do pó, é dele que devemos cuidar,

pois além de tudo, há um mistério que nos desafia:

não saber até quando...

Basilina P


ereira

sábado, 12 de novembro de 2022

 

POETRIX

 

Eu sempre quis ser poeta: este ser indefinido

que solta a palavra no vento e depois a recolhe,

sem perguntar por onde ela andou.


Basilina pereira


quinta-feira, 6 de outubro de 2022

 

CENA URBANA

 

Os edifícios vão acordando aos poucos:

espreguiçam e logo espicham os olhos

para o burburinho que lhes cobre os pés.

Luzes verdes, amarelas, vermelhas

vão arbitrando o ritmo e a paciência

de quem acordou cedo, passou manteiga no jornal

e engoliu as notícias sem mastigar,

no afã de afanar alguns minutos.

Sob as marquises,

a impaciência e a inércia convivem lado a lado.

Ali o frio é sempre maior que a esperança.


Basilina Pereira


terça-feira, 4 de outubro de 2022

 

NAS ENTRELINHAS

 

Eu escrevo poemas

e na falta do que fazer com eles,

semeio-os em páginas diversas,

seja no papel ou na tela de um computador,

 na esperança de que uma comporta se abra

e eles peguem carona no fluxo de alguma rede social.

É um caminho meio árido,

sem a emoção do encontro, sem o brilho do olhar

sem o calor do abraço, trocado à guisa de aconchego.

Inundo meus dias de poemas e eles fertilizam a minha vida...

Fazem-me sentir o movimento do afeto

 que, vez ou outra, recebo,

como sinal de que a correnteza fluiu, de algum modo.

 Amigo leitor, se algum dia você encontrar um desses poemas,

descasque-o: eu estarei nas entrelinhas!


Basilina Pereira






 

 

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

 A ORQUÍDEA

 

A orquídea, todos sabem, vem das matas,

enfloresce, enobrece a primavera,


traz perfume, revela a forma inata

e fulgor que reduz qualquer espera.

 

No orquidário, reluz assim: cascata

de nuances que até se faz quimera,

seu labelo enfeitiça e arrebata

a graça de outra flor. Também pudera!

 

Seu cultivo é sensível, mas compensa

todo esforço e desvelo dispensado,

no trato regular, requer pendor.

 

Suas pétalas trazem cor intensa,

as sépalas se fecham com cuidado

e a natureza exibe um esplendor.

 

Basilina Pereira


 

 

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

VOO SOLO


VOO SOLO

Como pássaro sem ninho,
percorro a gravidade do silêncio,
sustentando a asa que me resta.
À minha frente,
a terra é palco de todas as vozes
que carregam a seiva da liberdade,
 ainda assim, presa
a raízes entrelaçadas no medo de voar só.
É certo que o tempo descolore os sonhos
que se tornam opacos,
à deriva entre as estrelas.
Sem os reflexos do sol,
tento desdobrar-me em versos,
refém desta desta tênue certeza
que corteja a palavra
e sussurra: a outra asa, se foi verdadeira,
permanece invisível, mas indica a direção.


Basilina Pereira

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

TRILHAS

TRILHAS

Eu amanheço encharcada de sonhos
e não sei onde depositá-los
para que a brisa os transforme em faróis
nas vertentes da paisagem.
Este gosto de chuva madura
acende minha pele cansada
e o suor que brota da alma
faz verdejar o contorno das trilhas
onde busco inspiração para mais um dia. 
E no desassossego das horas,
vou plantando estratégias
para me livrar dos espinhos
que não consigo enxergar
e, entre dúvidas e perguntas,
ofereço poemas.
Eles não evitam o dilúvio,
mas abrem comportas
por onde o sorriso pode voar.


Basilina Pereira