quarta-feira, 17 de agosto de 2016

COM CHEIRO DE BRISA


COM CHEIRO DE BRISA

Mais um dia bate à minha porta.
Sei que devo recebê-lo com meu melhor sorriso,
como criança que vê o presente
pelo qual esperou com brasas no coração.
Mas há uma porta a ser aberta, o medo,
e a fragilidade de uma alma desprotegida.
Conto até três... estou tão segura aqui
que resolvo sonhar com um jardim florescente
e borboletas vestidas de vento sobre os canteiros.
Quem dera não acordar tão cedo!
Mas a hora chama de novo e então respondo:
- bom dia, vida!
- Como quero o meu abraço? Com cheiro de brisa!

Basilina Pereira

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

FRASES AVULSAS



 
FRASES AVULSAS

Amar com fervor a doutrina do teu corpo,
fazer dos pensamentos um desafio em construção,
nada mais próprio a um poema que se deixa
levar por palavras na espessura da emoção.

Vens com a manhã e alimentas meu caminho,
arranhas a superfície da luz que me confunde
e no toque que atravessa o sentimento
sempre espero algo maior que me inunde.

Então escrevo nas asas da minha vontade
frases avulsas de desejo, amor, paixão,
planto poesia na entrelinha do teu nome
arranco a frase que me esconde a tua mão.

Basilina Pereira

terça-feira, 9 de agosto de 2016

O MOMENTO



O MOMENTO

O tempo corre levando as noites,
atropelando os sonhos e sobrevoando as manhãs
que, mal chegam, já estão de partida.
O clic da máquina registra o que as horas não salvam,
o que não pode ser devolvido
e, nem bem acorda, já vira passado.
A vida reverbera gotículas de luz tão frágeis
e seu limite é o momento,
desprezá-lo é ignorar a essência que fica
e toda beleza que ainda pode vir.

Basilina Pereira

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

POETRIX I



POETRIX I

O amanhecer é o sorriso da luz
que nos convida a abrir a janela
e abraçar o canto dos pássaros

Basilina Pereira

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

MÍMESE




MÍMESE

A cor aprisionada pede socorro,
mimetiza-se e quer a força da palavra.
Seu grito vai perdendo o vermelho,
esvai-se em tons laranja, quase dourados,
e tenta incorporar o verde em suas curvas descendentes.
Lá embaixo, uma raiz espera pelo eco da terra,
por gotículas de luz e, quem sabe, por uma sombra do arco-íris.
Na moldura que abraça o conjunto, passeia a chama
que reflete no brilho do olhar um instante de poesia.

Basilina Pereira