sábado, 13 de fevereiro de 2016
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
O LAGO

O LAGO
No espelho das águas,
a imagem trêmula da face.
O silêncio de veludo acaricia
o pensamento
que tenta transpor o
bailado líquido
e reflete o céu com algumas
nuvens fortuitas.
A felicidade do momento é
fugaz,
feita solidão e tarde,
mas basta para derreter
as mágoas
que teimam em cultivar o
que não existe mais.
Basilina Pereira
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
MOSAICO
MOSAICO
Uma manhã amarrotada,
um pedaço de tarde,
enganchados no passo que titubeia,
quer acelerar
sem saber ao certo o caminho do porto.
A vida desfila na corda bamba,
equilibra-se entre a chegada e a partida
nos sorrisos que sugerem estrelas,
no abraço que revigora o espírito,
e na alegria que, vez por outra, pede
passagem.
Os sentimentos sem nota desenham o perigo,
tal qual o escuro
que esconde o céu e cega a estrada.
Assim, um mosaico de dias vai sendo
montado:
cada um escolhe o formato e a cor
conforme a música da sua alma.
Basilina Pereira
domingo, 7 de fevereiro de 2016
OS MENINOS
OS MENINOS
O menino de pedra
congelou o sorriso,
arqueou os braços
e pousou no centro da fonte
onde os desejos são alimentados
com gestos de galhos efêmeros,
bem ao alcance do perigo.
O menino da bicicleta
persuadiu os pedais
a riscar círculos no ar
amplos, repletos de sol,
como o sorriso da flor
que abre a cortina da manhã.
E assim ambos, enfeitados de
alegria,
ofuscaram o céu nublado
e plantaram cores no jardim.
Basilina Pereira
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
O ÚLTIMO VOO DA ESPERANÇA
0 ÚLTIMO VOO DA ESPERANÇA
Um vento azul acorda a manhã
e beija de leve o orvalho
que reflete os pingos do sol.
Pedaços de silêncio serpenteiam
na superfície da folha,
onde um verde líquido afaga a
esperança
em seu pouso final.
O último sopro de vida tremula
em sua asa pouca,
a mesma que há pouco riscou o
espaço
em bailado sofrido e curto.
É a vida que se despede em
forma de poesia.
Basilina Pereira
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