segunda-feira, 28 de outubro de 2013
quarta-feira, 15 de maio de 2013
O CORPO
O CORPO
O corpo é textura,
é silêncio que fala
quando a boca cala.
O corpo é lago,
é penumbra...
no compasso flutua,
em estreitos se entrega.
O peito que arfa acende o céu
da boca que se abre no prazer
de ser eterna e doce:
inteiramente fogo
enquanto riso.
As mãos desmancham-se em toques,
retoques de ternura,
na procura do ventre que cresce
entre o teu compasso e o meu.
B
asilina Pereira
O corpo é textura,
é silêncio que fala
quando a boca cala.
O corpo é lago,
é penumbra...
no compasso flutua,
em estreitos se entrega.
O peito que arfa acende o céu
da boca que se abre no prazer
de ser eterna e doce:
inteiramente fogo
enquanto riso.
As mãos desmancham-se em toques,
retoques de ternura,
na procura do ventre que cresce
entre o teu compasso e o meu.
B
asilina PereiraFRENTE E VERSO
FRENTE E VERSO
Só são palavras
que aderem devagar e sem rumor.
Quem desconhece esse poder está isento,
só vê no espelho a mesma pele
que esconde cicatrizes antigas,
submersas em seu casulo.
São só palavras...palavras...
Frente e verso de um rosário
que define o excesso do que falta.
Seu eco por vezes volta,
mas não extingue a solidão.
A dor vem do espinho fincado na cortina
que esconde as mágoas
e só eu sei do retrocesso...
do tempo que não cura a ferida
e dessa angústia que ergue colunas.
Basilina Pereira

Só são palavras
que aderem devagar e sem rumor.
Quem desconhece esse poder está isento,
só vê no espelho a mesma pele
que esconde cicatrizes antigas,
submersas em seu casulo.
São só palavras...palavras...
Frente e verso de um rosário
que define o excesso do que falta.
Seu eco por vezes volta,
mas não extingue a solidão.
A dor vem do espinho fincado na cortina
que esconde as mágoas
e só eu sei do retrocesso...
do tempo que não cura a ferida
e dessa angústia que ergue colunas.
Basilina Pereira

segunda-feira, 13 de maio de 2013
ADIVINHAÇÃO
Foi um vulcão encimado na distância.
Sem toque.
Sem calor.
Só a visão turvada pelo desejo,
aquela ânsia avessa
por delírios. Adivinhação.
Se teu toque tem carícias de veludo ninguém diz,
mas eu arrisco minha rede em águas fundas.
A incerteza tem seu tanto
de loucura - mais.
Basilina Pereira
NADA A DECLARAR
NADA A DECLARAR
Já não sei quantos amores habitei.
Alguns fixaram-se na parede
feito o gato da minha infância
que descobriu um buraco no assoalho
para assoprar o meu sono
e se aquecer...se aquecer.
Depois, alguns outros...
como os lábios que molhavam minha espera,
na provocação do néctar e do arrepio.
Velas ao vento.
Oscilam entre a dúvida e a esperança: presas fáceis,
uma a uma de qualquer vento forasteiro.
E por fim - um asteróide
que abriu um buraco no tempo
e só.
Nada mais a declarar.
Basilina Pereira

Já não sei quantos amores habitei.
Alguns fixaram-se na parede
feito o gato da minha infância
que descobriu um buraco no assoalho
para assoprar o meu sono
e se aquecer...se aquecer.
Depois, alguns outros...
como os lábios que molhavam minha espera,
na provocação do néctar e do arrepio.
Velas ao vento.
Oscilam entre a dúvida e a esperança: presas fáceis,
uma a uma de qualquer vento forasteiro.
E por fim - um asteróide
que abriu um buraco no tempo
e só.
Nada mais a declarar.
Basilina Pereira
quarta-feira, 8 de maio de 2013
POEMA SURREAL
POEMA SURREAL
Se imagino o outro lado?
É claro que não,
mas ele me instiga, às vezes!
É quando eu sinto o sangue correr,
mesmo congelado.
Vejo todas as cores se vestindo de gris
e uma paisagem surreal
dança por entre os arbustos,
enquanto um coro de anjos
balança as folhas do tempo.
Entre o sim e o não eu me pergunto:
onde está o amor
que um dia uniu seu corpo à minha alma?
Basilina Pereira

Se imagino o outro lado?
É claro que não,
mas ele me instiga, às vezes!
É quando eu sinto o sangue correr,
mesmo congelado.
Vejo todas as cores se vestindo de gris
e uma paisagem surreal
dança por entre os arbustos,
enquanto um coro de anjos
balança as folhas do tempo.
Entre o sim e o não eu me pergunto:
onde está o amor
que um dia uniu seu corpo à minha alma?
Basilina Pereira

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