terça-feira, 22 de janeiro de 2013


O VERSO LIVRE

Hoje enveredei pelos campos da saudade.
Não queria, mas assim mesmo fui.
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Deixei de lado as cerimônias de adeus
e pintei apenas a emoção do encontro:
tão longe, tão próxima e real...

Na minha tela mesclaram-se
o seu sorriso da chegada
o abraço e aquela sensação
que não cabe em nenhuma palavra.

Quem disse que o passado é poente
não sabe do que é capaz um verso
que transita livre
pelas cores da memória.

Basilina Pereira

sábado, 19 de janeiro de 2013


INCOERÊNCIAS

Pode ser noite ou ser dia
busco o regaço da lua
mesmo o longe fica perto
se o silêncio cobre a rua.

Há lances claros no escuro
do amanhã, coisa intrigante,
altos...baixos todos têm.
Basta ser perseverante?

Onde estará tal resposta
 Não a encontro, todavia,
se choro ou canto, quem sabe,
será de dor...de alegria?

É grande a minha ansiedade
por um ídolo...uma musa
 que ilumine a minha a alma
seque o pranto e me  conduza

do choro ao riso em instante:
partes da mesma emoção,
assim como o claro e o escuro
dão equilíbrio à estação.

E entre o começo e o fim
segue o bailado da vida
enquanto brilha a chegada,
surdo é o farol na partida.

Basilina Pereira

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013


METAMORFOSE

O poema gesta, mudo.
Há dias em que ele se insurge
em sua intumescência de feto
e insinua-se, como Aurora,
para logo amanhecer.

Se alguém pensa
 que esse parto não dói
é porque não percebeu 
o sofrimento da palavra,
ao sair do casulo
e virar poema.

Basilina Pereira

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

EU QUERIA


EU QUERIA

Hoje eu queria dançar num chão de nuvens,
exorcizar todos esses sentimentos sem dono
que em noites desertas me invadem o sono.

Hoje eu queria sentir aqueles aromas ingênuos
de terra sedenta, molhada, depois da chuva
e sentir o barro entre meus dedos, sem luvas.

Hoje eu queria esquecer as distâncias,
a lembrança agasalhada no silêncio
e a promessa que ficou presa num desvio.

Hoje eu queria voar aprisionada nas palavras,
libertar as estrelas de suas rotas estremadas
e retratá-las na luz da madrugada.

Hoje eu queria esquecer de um dia haver chorado,
expulsar meus medos sem perder a calma
e descobrir se a lágrima seca molha a alma.

Basilina Pereira

terça-feira, 15 de janeiro de 2013


O QUE FALTA?

Estou entre o sim e o não,
à procura de um talvez. 
Pode ser que essa dúvida, 
que amanheceu rangendo em minha palpitação 
seja a gota invisível que nada fala e tampouco cala.
Quem sabe um ritmo novo de pulsar
anule essa inquietação obscena que chega tão perto, mas não alcança,
quer descobrir oque falta e não sabe como.

Basilina Pereira

domingo, 13 de janeiro de 2013


QUANDO SURGE O AMOR...

Vem no rabo de um cometa
não sei se queima ou assopra
de aluvião, sem espreita,
abre de vez as comportas

que estiveram represadas
num chão de barro pisado,
ergue-se em placas douradas:
que venha vento ou tornado!

Quando acontece o amor,
todo o céu fica bordado
a alma dança em esplendor 
é música pra todo lado.

E de fagulha e encanto
estremece a cordilheira, 
no horizonte cai o manto
florescem as cerejeiras.

A lua pede licença
pra brilhar bem devagar
e as estrelas, por nascença,
são cúmplices, podem olhar.

Basilina Pereira

sábado, 12 de janeiro de 2013


ADOLESCÊNCIA

Não há segredo mais antigo
a dispensar qualquer abrigo
que a metamorfose da vida
menos ...mais... sempre vencida

pela beleza que desperta
quando a estação é certa,
é a força do mar revolto,
corcel bravio e bem solto.

É quando a casca macia
desprende-se, quer alforria,
lá fora o vento é procela
mas cheira à doce canela.

Nem todo o saber mutante
explica a mágica do instante
em que a criança arredia
abre o laço da ousadia.

Basilina Pereira