sábado, 10 de março de 2012

OFÍCIO

OFÍCIO




Acampar num sonho a distância

quebrar o vento com os dentes

ser vaga-lume entre as estrelas:

é tudo que pode um poeta,

além de não desistir do verso.

Jamais!

Basilina Pereira

sexta-feira, 9 de março de 2012


FRENTE A FRENTE






A solidão não é estar sozinho,


tampouco encontrar-se, temporariamente,


sem amor, longe dos amigos...


A solidão é o vazio que há


entre a palavra e a ação,


o dizer e o sentir,

o estar frente ao espelho,

sem se enxergar.

Basilina Pereira







sexta-feira, 10 de junho de 2011

SONETO DO ENCONTRO

SONETO DO ENCONTRO

Protejo-me no conforto deste amor,

que me afaga docemente sob a chuva;

suas ondas me acompanham aonde eu for

e me acolhem feito a mão dentro da luva.



Entrego-me às delícias deste encontro

de duas almas que se enxergam nas alturas;

se sou teu verso, tu és meu poema pronto

se és paixão, sou teu enlevo de candura.




E neste encontro que dispensa até palavras,


somos assim: mais que amigos, mais que amantes:

 
um só enredo , ventura que alguém guardava:



uma espécie de semente milagrosa.

E se o silêncio se apossar do meu instante

que eu possa me inspirar na tua rosa.


Basilina Pereira

quinta-feira, 9 de junho de 2011

A CARTA


A CARTA

Caminho pela vida, coberta de sol.

Este, que ora se mostra, ora se esconde,


atrás do infinito.


Colho palavras e sentimentos,


na esperança de encontrar o acorde certo,


a rima perfeita, a cor que não se esvai


e a chama que alimenta o meu amor.


Este... sinto, deve ter se perdido entre as galáxias


ou estar a minha espera


numa dimensão maior.


Por isso, deixo-lhe uma carta:


escrita por todos so meus sonhos,


com as letras que ainda brilham em meu sorriso,


e toda a poesia que consigo ir deixando onde piso

Protegida do frio e do vento,

pode ser que um dia ela chegue ao seu destino.



Basilina Pereira

segunda-feira, 21 de março de 2011

A VONTADE

A VONTADE
O mesmo passo


que a estrada


é a mesma


onde pisaram


todos os pés


e todas as almas.


O horizonte ainda é


a eterna miragem,


mas a vontade,


esta prevalece


sobre e o medo,


a incerteza


e a pedra dura.
Basilina Pereira


O BORDADO

O BORDADO


Se pudesse bordar minha vida


a tela seria um dia sol


e a tinta viria das palavras.


Com tanto cuidado eu as tomaria


e, no seu melhor sentido,


iria compondo o poema dos meus dias.


Cada verso seria desenhado mansamente


e todos os meus momentos felizes


estariam ali representados.


Os outros também seriam lembrados,


em tons menores, para realçar as alegrias


e, do princípio ao fim,


eu seguiria o som dos versos


e dançaria como se a ponta dos pés


fosse a morada de todas as nota musicais.


Basilina Pereira

A PODA

A PODA


Não se corta impunemente


o galho de uma árvore.


Mesmo a poda,


artifício do interesse e da cobiça,


é algo que castiga, mutila, altera.


O poeta ferido também sangra,


e o seu verso, quando consegue voar,


é letra minguada:


não exibe a leveza de um bailado.


Basilina Pereira