domingo, 16 de janeiro de 2011

GAVETAS


O dia me acorda em preto e branco.


Abro a janela e...lá está: o sol,


com todo aquele dourado atrevido,


convidando-me à vida.


Por onde começar? Tantas gavetas...


algumas cheirando a bolor, sinal dos tempos.


Mas, então, já não é hora do descarte,


enterrar de vez aqueles sons


que surgem no meio da noite?


Mas como, se não há outra música para ouvir?


........................


Será? Às vezes, insistimos tanto em quebrar as pedras


e nos esquecemos de adubar as flores.


Basilina Pereira





quarta-feira, 10 de novembro de 2010

RECICLAGEM

RECICLAGEM


Já não sei dos dias,


já não sei das horas, nem dos meus limites


que se perderam todos no terno ofício


de pensar em ti.


Trago teu sorriso entre meus dedos,


teu olhar em meu rubor


e o teu perfume na memória,


- que os lençóis –


já se recusam a reciclar o tempo:


tão curto, tão louco,


todo rasgado em fantasias.


Basilina Pereira

GAVETAS

GAVETAS







O dia me acorda em preto e branco.


Abro a janela e...lá está: o sol,


com todo aquele dourado atrevido,


convidando-me à vida.


Por onde começar? Tantas gavetas...


algumas cheirando a bolor, sinal dos tempos.


Mas, então, já não é hora do descarte,


enterrar de vez aqueles sons


que surgem no meio da noite?


Mas como, se não há outra música para ouvir?


........................


Será? Às vezes, insistimos tanto em quebrar as pedras


e nos esquecemos de adubar as flores.






Basilina Pereira


terça-feira, 21 de setembro de 2010

DEVANEIO


Ah! saudade!


Como é bom acariciar o tempo,


momentos distantes, longes dias.


Pensar que o passado pode voltar numa luz,


deslizar sobre o horizonte, qual miragem.


E esses delírios...


que balançam precipícios!


brincam de esconde-esconde,


pegam carona com o vento


e até simulam voo só pra tirar os pés do chão.

A manhã, insistente,

pergunta por minhas asas.

Asas? Não as quero mais, tenho meus versos.
Basilina Pereira



sábado, 4 de setembro de 2010

O RISCO

O RISCO


De través, o verde da pedra.


A hora ignora a sua aparência de trilhos,


que viver é algo assim...


...como poetar.


Tem que se achar a palavra


que caiba no contexto


e deixar o RISCO


cumprir sua trajetória.


Basilina Pereira

AS HORAS


AS HORAS


As horas alimentam-se da compaixão:


COMPAIXÃO


pelos corações que pulsam no ritmo da monotonia;


COMPAIXÃO


por olhares que atravessam o silêncio do jardim,


sem sentir a presença do esplendor que lhes acena;


COMPAIXÃO


dos vultos ocupados, soterrados por paletós e gravatas,


tentando abrir um buraco na tarde


e voar sobre os seus sonhos;


COMPAIXÃO


pelo desejo de fuga dos que marcham sem sair do lugar;


COMPAIXÃO


pelo tempo perdido por quem se esqueceu


da predição da morte;


COMPAIXÃO


...


Basilina Pereira

sexta-feira, 23 de julho de 2010

A SEMENTE

A SEMENTE


O pensamento é a semente da palavra.


Alguns proliferam:


ganham coragem e voam.


Outros...morrem num olhar.

Basilina Pereira