terça-feira, 21 de setembro de 2010

DEVANEIO


Ah! saudade!


Como é bom acariciar o tempo,


momentos distantes, longes dias.


Pensar que o passado pode voltar numa luz,


deslizar sobre o horizonte, qual miragem.


E esses delírios...


que balançam precipícios!


brincam de esconde-esconde,


pegam carona com o vento


e até simulam voo só pra tirar os pés do chão.

A manhã, insistente,

pergunta por minhas asas.

Asas? Não as quero mais, tenho meus versos.
Basilina Pereira



sábado, 4 de setembro de 2010

O RISCO

O RISCO


De través, o verde da pedra.


A hora ignora a sua aparência de trilhos,


que viver é algo assim...


...como poetar.


Tem que se achar a palavra


que caiba no contexto


e deixar o RISCO


cumprir sua trajetória.


Basilina Pereira

AS HORAS


AS HORAS


As horas alimentam-se da compaixão:


COMPAIXÃO


pelos corações que pulsam no ritmo da monotonia;


COMPAIXÃO


por olhares que atravessam o silêncio do jardim,


sem sentir a presença do esplendor que lhes acena;


COMPAIXÃO


dos vultos ocupados, soterrados por paletós e gravatas,


tentando abrir um buraco na tarde


e voar sobre os seus sonhos;


COMPAIXÃO


pelo desejo de fuga dos que marcham sem sair do lugar;


COMPAIXÃO


pelo tempo perdido por quem se esqueceu


da predição da morte;


COMPAIXÃO


...


Basilina Pereira

sexta-feira, 23 de julho de 2010

A SEMENTE

A SEMENTE


O pensamento é a semente da palavra.


Alguns proliferam:


ganham coragem e voam.


Outros...morrem num olhar.

Basilina Pereira

AS DUAS PONTAS

AS DUAS PONTAS


O tempo é alento e martírio.


Nunca nos salva de querer mais,


quando o riso vem com asas.


E pesa feito uma vida


quando o longe é só fumaça


e o perto não convence.


Basilina Pereira

SUPERSTIÇÃO


SUPERSTIÇÃO


Agosto já não me assusta.


Ele chega com sua missão de varrer a terra


e plantar sob a sombra das árvores


aquele tapete seco que um dia será pó.


E só.


O sol inchado e amarelo quase geme,


fingindo-se de enfermo e maltratado pelo vento.


Mas eu o ignoro e sigo em frente:


mais dois passos e será setembro.


Basilina Pereira

terça-feira, 13 de julho de 2010

O CORTE

O CORTE



O vento da tarde levou todas as minhas palavras.


Vestiu-se de liberdade e, inexorável,


cortou as raízes dos meus versos


que ensaiavam nascer.


Órfã do que dizer,


embrulhei os sentimentos,


mergulhei no sincretismo do crepúsculo


e ousei...


como quem busca o último suspiro da existência.


Mesmo que o silêncio da hora impere,


que a lembrança esteja turva de saudades


e o verbo desconheça o tempo certo...


- o poema sabe de cor –


que a emoção não se pode conter.


Basilina Pereira