quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O PONTO 'Z'


O PONTO “Z”


Procuro um ponto que oscile
entre a tarde e a manhã,
entre o frio e o calor,
entre a casca e a maçã.


Que fique entre aqui e lá,
talvez entre choro e o riso,
no meio de dois segundos:
é tudo de que preciso.


Um ponto que se coloque
entre a coragem e a ousadia
e de carona numa ideia
desafie a utopia.


Mas será que ele existe,
tão delimitado assim:
um átimo entre a razão
e a emoção que existe em mim?


Que desabrocha e aflora
só na presença do amor,
descarta esta que pareço,
busca a outra aonde for.


Seria o tal ponto...”Z”
que alguns dizem que não há?
Sei que existe, com certeza,
é questão de procurar.


Basilina Pereira

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

DIVAGAÇÕES SOBRE O SILÊNCIO

DIVAGAÇÕES SOBRE O SILÊNCIO

Dizem que o silêncio fala,
como será sua voz?
Quantas roupagens podemos lhe emprestar?
Quem cala consente, dizem ainda.
Será?
Talvez falte a resposta certa, só isso.
Ás vezes, fogem todas as palavras
que gostaríamos de dizer...
e também de ouvir.
Na calada da noite,
a ausência de som fustiga os pensamentos,
atormenta-os até,
pois que, presos em seu casulo sem cor,
nunca poderão revelar seus segredos.
Também já lhe cunharam de adorno,
feito do mais nobre metal:”silêncio de ouro”!
Em assim sendo, será que ele reluz?
Nada disso me convence.
O silêncio é mesmo o que é:
um hiato entre o pensamento e a palavra,
cada um dá a ele a nuance que quiser.

Basilina Pereira

CUMPLICIDADE

CUMPLICIDADE

Hoje amanheci
com o teu cheiro em minha pele.
Talvez porque dormi no teu sono
e acordei no teu sorriso.
O sonho que me rondou a noite
veio de longe...
dos dias em que não havia sombras
nem lágrimas.
Só cumplicidade no olhar,
música de passos,
abraços
e uma certeza plena de infinito.

Basilina Pereira

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

TINTAS



TINTAS


Meu verso não rima mais.

Cansou de esperar o amor

que me nega seus abraços.

E a lembrança dos seus beijos

vai sumindo na fumaça...

seus passos, com som de música,

já não aduzem esperança

e o brilho dos seus olhos

hoje dorme na distância.

Sozinha no quarto escuro,

junto tintas na saudade

e espalho no poema.



Basilina Pereira

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

CAFÉ DA MANHÃ

CAFÉ DA MANHÃ
Adoro o meu desjejum,
ou será café da manhã?
É com ele que desamasso meu sono,
acaricio os sonhos da véspera,
tiro a poeira dos olhos
e ergo um pedestal para o dia
qua acabou de acordar.
Basilina Pereira

domingo, 3 de janeiro de 2010

DE PEITO ABERTO

DE PEITO ABERTO
Abro a janela.
Há tanta vida lá fora:
luz, pássaros, flores...
e pensar que tem gente se matando,
maldizendo a vida,
lavrando no escuro
a terr aprometida...
por medo
de ncarar o novo dia,
de dar chance à alegria,
de abrir aquela porta,
de buscar o que importa
e enfrentar cada passo com coragem,
porque o longe, de repente, se faz perto
e o futuro acena de peito aberto.
Basilina Pereira

EM SILÊNCIO

EM SILÊNCIO O silêncio é a pedra de sal que resiste aos tremores da alma. Longe das madrugadas, o vento escorre lúbrico e colhe a sensação da chuva que transborda das paixões lunáticas. Só as estrelas descortinam... Seu medo não destrói o medo do escuro, mas transpõe a barreira das lágrimas e, em silêncio, descansa no poema Basilina Pereira