quinta-feira, 2 de abril de 2009

ROSA DE PEDRA
Busco consolo nos versos ao derramar palavras sobre a vida. Sou qual a rosa de pedra que ali eclodiu e ficou: em aparência. Assim como a casca da árvore tem a sua forma, mas não a essência, vou vivendo da hora não repetida e tentando entender a esperança. Eu coexisto com o oco do sentimento. Procuro fecundar o prazer, fecho os olhos em busca do sorriso incandescente: sangue partido de uma aurora distante. Cato na lua a semente do sonho ela é única em nossa órbita. Serei única também? Basilina pereira

quarta-feira, 25 de março de 2009

REVOADAS
Como um esboço inacabado, vivo em revoadas, o que me salva são meus pensamentos, que transformo em palavras. Porque palavras têm luz... elas revestem aquele murmúrio que desliza por nossas veias até desaguar na foz do mistério de que somos feitos. Não quero questionar a eternidade, só viver da imaginação, esta que disfarço em poesia, porque o poema se faz de coragem ou quem sabe de covardia? ...vez que exala em cada verso um sentimento não resolvido.
Basilina Pereira

sexta-feira, 20 de março de 2009

A DRACULA BELLA
Invejo os cavalos selvagens na sua alegria indócil. A minha liberdade é limitada pelo eflúvio que exala do medo... aquele receio de ser nebulosa e embriagar-me no transe do momento. O mundo é orquestrado na aparência: homens se matam enquanto as flores murcham e grandes segredos perdem-se entre o pensamento e as palavras. Mas eu busco a beleza dos extremos... Lá no fundo da gruta escura, onde o sol é uma lembrança remota a Dracula bella floresce. Basilina Pereira

segunda-feira, 9 de março de 2009

A MULHER QUE SOU
Descrevo a mulher que sou: versátil, fecunda, fluida... não sei bem por onde vou, mas sigo a trilha dos druidas. Falo a linguagem do amor neste terraço do mundo se encontro miséria e dor acelero e vou mais fundo. Sempre tem dias de chuva e de assobio no escuro, mas quem tem mão salva a luva, sonho atrevido é futuro. Nado em audácia e leveza com charme de lua cheia, tem mistérios, com certeza, o que me corre nas veias. Mas como toda mulher sou força que para o vento quem foca o alvo e o quer vai além do pensamento. Basilina Pereira

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

MAS Difícil tangenciar essa volúpia secreta escondida no olho do profeta. Nem as previsões ciclópicas submersas em realidade hostil sustentam a imagem em negativo dessa carne dura onde repousa a humanidade. Sua sombra vagueia no cosmo sujeita à afasia do pensamento, achaque que desafia Esculápio em sua jornada fora da noite. Solidão de paisagem lunar, eternidade dos indiferentes, maremoto de boas intenções, Acorrei! É preciso reescrever o tempo, mas... minha devoção às palavras me salvará. Basilina Pereira

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

TALVEZ

TALVEZ Talvez um dia seja pouco pra eu me perder no teu olhar; talvez um mês não seja tanto pra tecer versos ao luar; talvez um ano...seja nada ante o meu desejo de te amar de madrugada... Talvez a minha incerteza seja a única coisa certa. Talvez... a minha saudade seja tudo que ainda resta. Basilina Pereira

sábado, 6 de dezembro de 2008

O QUE O TEMPO NÃO LEVA

O QUE TEMPO NÃO LEVA O relógio da parede recusa-se a prender a hora. Em sua trajetória de sonhos, só faz repetir o instante: fragmentos perdidos e não vividos. Ah! como esse pêndulo nos devora... Leva embora o nosso brilho e nos devolve opacidade, até um traço de azinhavre deixa escondido entre lembranças sobrepostas em camadas que, ao final, é quase nada ante a voracidade do tempo que dissolve o homem, faz camuflar as emoções e dissipa a própria mágoa, só não... as idéias que permanecem num casulo e renascem numa gota de orvalho
Basilina Pereira