terça-feira, 18 de novembro de 2008

ORAÇÃO DO POETA Senhor da prosa e do verso, que este poeta disperso, possa percorrer o mundo do céu aos vales profundos, levando pra toda gente seu canto vivo e ardente impregnado de carinho feito arremate de ninho. Que sua palavra vibrante vá além de um só instante do impacto emocional, pois ela existe, afinal, pra bordar o dom da vida, amenizar as feridas, com sua mensagem de fogo lembrar que as regras do jogo são simples questão de escolha; é o vento esperando a folha. Senhor do rima (im)perfeita, eu sei bem: não há receita mas acolhe em mansidão esta súplice oração que eu possa inverter as cores encher a alma de amores lavrar o solo infecundo levar esperança ao mundo vasculhar o chão dormente só pra adubar a semente e espalhar na ventania todo o encanto da poesia.
Basilina Pereira

terça-feira, 28 de outubro de 2008

FUNDO FALSO

FUNDO FALSO O homem inventou a solidão. Cada um em seu mundo conduz o passo de olho no pé em pé sobre areia movediça. E não há como salvar-se enquanto o egoísmo sedimentar o seu reduto e o medo rondar as passagens estreitas... Quanta fragilidade! A vida que olha de fora pra dentro é uma vida inventada que não cabe em si mesma, onde o grito camuflado cativa o silêncio dos ventos num lance de pura sedução. E o sentimento morre numa cava de ilusões soterrado pelo fundo falso.
Basilina Pereira

terça-feira, 14 de outubro de 2008

FLOR TARDIA

FLOR TARDIA Pediram-me pra não rimar. Mas isso é desmontar meu coração, é abrir a janela e perceber que não há sol, um soco rasgado no poema, é a eclipse da emoção. É tão bom poder rimar amor e...(flor)! Não sei usar o excremento das palavras... E onde ficam os ecos das metáforas que revestem de brilho a poesia? Acho que também perdi o bonde e no jardim onde queima a minha face sou apenas uma flor tardia. Basilina Pereira

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

ARABESCOS Rabisco meus sonhos dentro do espelho pra que a memória os resgate antes que névoa da noite os transforme em séculos perdidos. Lá no alto, pedaços de alegria mesclam-se com lembranças ardentes e perdem –se entre as muralhas do tempo. Trago no peito, latente, o desencanto.... Cato estilhaços de um amor sonhado Como quem busca gotas de orvalho na escuridão. Lá no alto, uma estrela não diz pra onde vai... ignora que a saudade me sangra em cada olhar. Basilina Pereira

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

PREVISÃO DO TEMPO

PREVISÃO DO TEMPO Hoje o meu coração amanheceu com cheiro de chuva. Olhando pela janela vejo nuvens furta-cores e sinto um vento brando sussurrando edelvais, enquanto o orvalho sinaliza: primavera! No ar: prenúncio de tempo bom lá pros lados da emoção, a razão também promete: equilíbrio, passo certo e alegria. À frente, a estrada nova diz que vida é este instante... Quanto vive a borboleta? Acaso é menos fascinante? Na memória sopra a brisa salva o amor que ainda desliza pelos campos da saudade. Abro os braços num sorriso é tudo de que preciso pra cantar com os rouxinóis. Basilina Pereira

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Com meu carinho e votos de uma boa tarde e boa noite. RANHURAS Olho para esta tela desbotada e me pergunto onde foram parar as cores que já brilharam ao encanto do sol em tonalidades soberanas e lúdicas como qualquer aquarela tropical. Do vermelho, resta um leve tom dourado quando os olhos castanhos voltam de sua jornada reminiscente.... O verde desfez-se na esperança que,cansada, esmaeceu em saudades. O azul, o amarelo e o lilás perderam-se nas vertentes, sucumbiram-se às ausências, desfizeram-se em prantos e desencantos. Hoje tento avivar esses tons pastéis que o tempo modelou em minha alma. A tela exibe ranhuras e há cicatrizes na moldura, mas resta um suave tom de rosa registro silencioso que fugiu de uma canção. Basilina Pereira

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

POEMETO DO CAMINHO

POEMETO DO CAMINHO
Hoje o meu passo foi incerto. O caminho? Quem disse que era perto? Nuvens escuras a prenunciar tempestades e meu coração quer a verdade... livre das chagas de então: só minha imaginação, outro risco na memória e uma nova trajetória. Basilina Pereira