quarta-feira, 23 de agosto de 2017
quinta-feira, 17 de agosto de 2017
O GRITO DO SILÊNCIO
As vertentes gritam em silêncio
em sinuosas vozes crispadas, sem eco.
Aqui tão perto já houve um arco-íris!
Formou-se, luziu, encantou,
plantou a esperança num vaso sem fundo
e a chuva não veio, não veio a alegria.
Hoje uma gota flutua, sem tapete de folha,
na ausência da luz e brilho nenhum.
Mas se ainda assim ousassem buscar
a verdade legítima sem emenda ou aparas,
talvez não achassem. Quase certo que não.
Basilina Pereira
terça-feira, 15 de agosto de 2017
NÓ DE FUMAÇA
NÓ DE FUMAÇA
O que são
esses momentos
que costuram
a respiração pelo avesso
e lembram
que a vida é também nó de fumaça,
caminho sem
mapa, pilastra sem chão?
De onde vem
esse quebranto
que se aloja
sob a pele,
sem ruído
nem medida, só silêncio,
à mercê de
um tempo que não vai nem volta?
Onde
coloquei a aldrava, que me permitia abrir o sol
semear a
alegria no canto dos pássaros,
certa de que
a noite me traria o verso bordado de estrelas?
O poema está
ferido e todas as rimas jazem órfãs
dos sonhos
que se perderam da poesia.
Basilina
Pereira
quinta-feira, 10 de agosto de 2017
MONÓLOGO DO FIM
Não sei de que feito o meu
coração,
se de alegrias inventadas
ou de tristezas indefinidas.
Acho que ninguém até hoje
quis explorá-lo,
assim: como quem escava uma
jazida
em busca da pedra dos
sonhos.
Pode ser que o cascalho
seja tanto,
que suplante o fim do dia
e o escuro que molda as
relações humanas
engula a alvorada do poema.
Meus olhos são duas bocas
famintas de amor.
Ao chorar pelo canto dos
lábios,
envio mensagens de
urgência, pedidos de socorro,
cartas postadas antes e
depois da lágrima
em busca de um
destinatário.
O passo seguinte é sempre
um vácuo,
cravejado de perguntas
esquecidas
ou, por outra, perdidas
entre tantos mistérios
que dá medo traduzir
Pode ser que ninguém
entenda,
ou não queira esticar os
olhos até onde os fragmentos se tocam:
um lugar de encontros e
despedidas.
Basilina Pereira
domingo, 23 de julho de 2017
MISERERE MEI
Sem
explicação. Uma boa tarde a todos.
MISERERE
MEI
Palavras
não ditas
miram
o vazio com a parte que cego
daria
tudo para descartar.
E
os filamentos de pergunta
que
reverberam às margens do silêncio
vão
se decompondo, aos poucos,
à
míngua da coragem de saber
o
que há no leito do encontro.
Basilina
Pereira
sexta-feira, 21 de julho de 2017
DETALHES
DETALHES
No
silêncio da noite, o escuro mostra,
com
nitidez, o que a pressa do dia oculta:
a
frase inacabada, a pergunta sem resposta,
as
apreensões momentâneas
que
inquietam os passos e o pensamento.
O
relógio é só um detalhe
que
picota o tempo e desequilibra a mente:
é
tarde para partir, mas ainda é cedo para chegar.
Portas
e janelas não se entendem: ora querem ser fechadas,
para
suavizar os arroubos do verão,
ora
precisam ser abertas:
há
um horizonte lá fora e asas do lado de dentro.
Enquanto
cisma, o poema rumina seu verso,
tange
a palavra que medra entre um suspiro, um olhar
e
a lembrança de uma voz que cochila
encolhida
entre os lençóis:
há
poesia mais pura do que ver a pessoa amada
respirar
no travesseiro ao lado?
Basilina
Pereira
quarta-feira, 19 de julho de 2017
CONVERGÊNCIA
CONVERGÊNCIA
Pela
veia do poeta
transitam
a tragédia e seu reverso.
É
urgente trazer à tona
a
fera que que ecoa na calada da noite
e
a beleza que surpreende a manhã
com
o simples acorde de um bom dia.
Quando
essas duas forças se encontram,
é
primavera no seio do verso
e
não há nada que impeça o poema de alçar voo
e
hastear a poesia no vértice da imaginação.
Basilina
Pereira
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