domingo, 13 de novembro de 2016

QUANDO SE LÊ

QUANDO SE LÊ

Quando se lê um livro,
alguma luz se acende
num planeta distante.
Nada mais será igual:
há o antes e o depois;
durante é processo e êxtase,
pedras que descolam das nuvens e voam,
mesmo que o gosto a deglutir seja amargo.
Quando se lê um livro,
a humanidade dá mais um passo e avisa:
nem tudo está perdido!

Basilina Pereira


sexta-feira, 4 de novembro de 2016

O VULTO

O VULTO

De repente,
na memória,
aquele vulto.
Nem forma tem,
só flutua
e acorda a velha chaga
que já tinha virado poema.


Basilina Pereira

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

OS DOIS LADOS DO POETA

Como hoje é dia do Poeta, o tema não poderia ser outro. Parabéns, parceiros do verso.

OS DOIS LADO DO POETA

Do lado de fora uma aparência de espera,
coisas lá da infância, onde a pressa não tinha morada.
Mas do lado de dentro! Um oceano
que vive para fazer do sal uma possibilidade que adoça,
um jardim de palavras irrequietas que, mal florescem,
já querem capturar o futuro.
Sim, o interior é suspiro inadiável
que lapida versos com o brilho das estrelas
só para lembrar que sua seiva é imprevisível:
por vezes encolhe ante a altas temperaturas,
mas por outras eclode em pleno inverno.

Basilina Pereira

terça-feira, 18 de outubro de 2016

HAICAI

 
Haicai

Calor do verão
folhas cruas e sem cor
transpiram no chão.


Basilina Pereira

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

SONETO POÉTICO

SONETO POÉTICO 

A poesia é a melhor parte do poeta,
sua ventura que ele exibe sem saber,
é a mensagem que dispensa o exegeta,
a magia que embala o entardecer.

Das entrelinhas do poema surge o lume
que por si só não cabe em qualquer palavra,
como a aranha tece a teia por costume
o aedo forja em versos sua lavra.

Não existe beleza maior que o fruto
do signo que desfolha encantamento
e se espalha em viração, resoluto.

Só em sonho a mão tinge o firmamento,
planta estrelas de um brilho absoluto
e faz da lua a inspiração do momento.


Basilina Pereira

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

O CAMINHO DO PODER

O CAMINHO DO PODER

Surgiu no ventre da pedra,
rasgou a paisagem de través,
subiu no dorso do abutre
e mastigou-lhe o voo de dentro pra fora.
Apetite voraz,
daqueles que devoram o arame farpado
como se degustasse a maciez do fruto maduro.
Em meio ao que aparenta, sucumbe a verdade,
camuflada por olhos que iludem.
Entre a promessa e a paga, o discurso:
as mil maneiras de fazer o polvo virar borboleta.


Basilina Pereira

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

O BARCO



O BARCO

Nem tudo está bem, sempre.
Há fissuras nas raízes
e uma espécie de indecisão
quanto ao tempo que borbulha por dentro.
Arrepender-se não está na pauta,
nem na prateleira de fora
onde chovem perguntas que não ganham altura
e o sol se perde na quina dos beirais.
Sob a neblina, uma alegria ingênua resiste:
é ela que camufla os medos
e abre caminho como um barco em busca do porto.

Basilina Pereira