sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

ETERNIDADE

ETERNIDADE

O tempo me sufoca,
invoca urgência,
na premência das perguntas:
nem o esplendor da aurora,
outrora um aconchego,
alivia essa carência de além .
Se eu fosse uma estrela,
abrandaria o negrume da noite,
que alimenta minhas dúvidas.
Estas, que desfiam... peregrinas, tateando
em busca da luz.
Eternidade - será aquele instante,
em que eu mergulho nos teus olhos
e o mundo para?

Basilina Pereira

terça-feira, 13 de janeiro de 2015


REVOADAS

Num esboço inacabado
vivo em revoadas.
O que me salva são os pensamentos
que transformo em palavras,
porque palavras têm alcance
Elas revestem aquele murmúrio
que percorre nossas veias
até desaguar na foz do mistério.
Não ouso entender a eternidade,
ela acontece longe demais do aqui e agora
ou, quem sabe, disfarça muito bem o para sempre.
No encalço da dúvida, recolho as perguntas
e escalo o verso,
se o poema germinar
pode ser que alguém vá em busca das respostas.

Basilina Pereira

domingo, 11 de janeiro de 2015


PENSAMENTOS ERIÇADOS

Todo dia é próprio a recomeços,
a rever promessas não cumpridas,
e a encarar as dúvidas que irrompem
sem pedir licença.
Nesse campo, tenho os pensamentos eriçados
e a imaginação solta e intensa
como a asa de um condor.
Trago, em posse ferrenha,
a sucata de minh’alma
e eflúvios de emoção transbordam em mim
assim: como se fosse possível antever as repostas
que ainda dormem num futuro sem data.
Mesmo sem saber a direção do vento,
presumo as velas e alinhavo o verso,
não é justo manter a palavra presa.

Basilina Pereira

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

O DESATE

Deparo-me com essa cascata de fumaça
onde jorram os nós,
que só eu posso desatar.
Tenho que reinventar o tempo
e reaprender a querer.

Basilina Pereira

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

O FIO DA MEADA

FIO DA MEADA

Olho as árvores no outono,
no seu ritual de libertar as folhas.
Tento esvaziar o pensamento,
mergulho no silêncio
e me deparo com esse chamado
que não sei de onde vem.
Busco a palavra nua
para depurar-lhe o a forma,
tento dialogar com o poema,
mas ele é rebelde feito o vento.
Não posso perder o fio da meada
se o verso que persigo trava, afrouxo a linha
e espero o inverno passar.

Basilina Pereira

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

O DESENHO


O DESENHO

Já se ouve o estouro de alguns fogos
e os lampejos preliminares desenham surpresas no céu.
A hora avança e a ansiedade abre suas asas:
sempre ela, a esperança de malas prontas
para embarcar no primeiro minuto, da primeira hora,
que abrirá a contagem do próximo ano.
O que nos aguarda? Dias melhores?
Paz, amor, sucesso? É o que todos queremos.
Que venha então 2015,
com a nuance que lhe tiver sido destinada
e que estejamos prontos para recebê-lo
com o coração aberto para o novo.
A vida é, sim, uma tela de lavores
onde cada ponto se sustenta na coragem
de que precisamos para avançar
e escolher as cores certas
para o desenho que nos for destinado.

Basilina Pereira

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

O TRAÇADO

Amanheço outra a cada dia,
vestida de ontem e repleta de amanhã.
Estranho um pouco o silêncio e o escuro,
essa ausência anunciada que me beija os pés
e convida as mãos a traçar uma órbita distinta
capaz de sobrevoar as lembranças
e decompor os mistérios
que se fizeram sonhos no meio da noite.
Lembro-me de que tenho raízes, folhas e frutos
... e flores para acomodar nas reentrâncias da alma.
Daqui a pouco será NATAL:
ja vejo luzes nascendo repetidas,
prontas para o voo digital e suas minúcias.
Nessa hora, eu quero ainda os vaga-lumes
e a inocência dos dias
que se repetiam sem os cataclismos de agora.

Basilina Pereira