sábado, 29 de março de 2014


A POESIA DO MOMENTO

 

fica de vez escondida

ou cria asas de cordel?

Tenta sanar a ferida

ou fica apenas no papel?

 

 A poesia do momento

quer abraçar sua alma

de leve, tal  qual o vento,

afagando sua palma.

 

E depois quedar inteira

no regaço de um olhar,

acaso há outra maneira

de um sentimento aportar?
 
Basilina Pereira

 

sexta-feira, 28 de março de 2014

A VERDADE DE CADA UM


A VERDADE DE CADA UM

 

O meu lado bruxa

não conseguiu decolar,

continua atrofiado, rastejando pela trevas

e, vez ou outra,

recebe a visita de algum morcego.

Nesses momentos,

ora se beijam, ora se estranham,

mas ao fim se aceitam,

certos de que nunca saberão

a verdade um do outro.

 

Basilina Pereira

 

quinta-feira, 27 de março de 2014

EMOÇÃO


EMOÇÃO

 

É pra rir ou pra chorar?

Gritar ao mundo ou calar?

Não importa o sentimento

vale a essência do momento,

há que se mostrar a cara

verso firme se declara

com todos os “esses” e “erres”

e a emoção que a impele.

 
Basilina Pereira

quarta-feira, 26 de março de 2014

PENSAMENTOS GRATUITOS

PENSAMENTOS GRATUITOS

Uma ideia vaga me ronda,
insossa,
resquício de épocas remotas:
a resistência da paixão
até parece um vento suicida
crestado numa brecha de fraqueza
no momento em que os olhos se beijam
e a tristeza recolhe-se ao seu vazio.
É quando eu me pergunto:
de onde brotam
tantos pensamentos gratuitos
dispostos a desnudar essa chama
sem véspera, culpada,
de tantos pecados ocultos
no âmago do momento?
Será que a culpa brota do ato de lavar a mãos?
Por que então o sol se põe?
Um crepúsculo pra ninguém?

Basilina Pereira

terça-feira, 25 de março de 2014

ABSTRATO

ABSTRATO

O traço desafia o papel,
a mão do artista
e o olhar.
As cores mimetizam a retina e
ora falam
ora derramam seus tons
sobre a humana percepção.
Formas disformes
conformes
ignoram a coerência e sua concepção,
em redemoinhos e lufadas de tinta.
Estranhas visões
abrasam o olhar
e instigam a lógica da mente.

Basilina Pereira

domingo, 23 de março de 2014

CUMPLICIDADE

CUMPLICIDADE

Vaga música martela meus ouvidos,
quebrando um silêncio que não era de ouro,
mas valia cada nota sem eco.
E o relógio buscava a hora presente,
aquele lapso de tempo
enroscado em si mesmo
que ao piscar de olhos
já não é mais.
Mergulho no vazio pleno
de minhas perguntas abstratas.
Por que é mesmo que escrevo?
Por falta de outra coisa ou por um chamado ancestral
que me dita o ritmo das palavras
alheio a suas melodias e abstrações?
Volto ao ponto de partida
e lá está o violino plangente
que nem grita e nem se cala.
A noite deveria ser um tapete
a embalar o beijo das almas.
Na parede, um espelho baço
me sugere cumplicidade.

Basilina Pereira

sábado, 22 de março de 2014

COLEÇÂO

COLEÇÃO

Quase todo mundo coleciona alguma coisa.
Eu preferi não arriscar.
Talvez por falta de criatividade
ou, quem sabe, por um apelo inusitado,
pintei a vida em preto e branco
e, no jardim dos esquecidos,
decidi colecionar olhares:
olhar de tristeza,
de medo,
decepção...
faltam palavras
pra definir todos os sentimentos
esquecidos
entre um lampejo e um piscar de olhos.
E assim,
sem espaço e horizonte
sigo captando o brilho ou a sua falta
que nas madrugadas
transformo em versos.

Basilina Pereira