terça-feira, 9 de abril de 2013

ROMARIA


ROMARIA

Não sei por onde
busco morada
só vejo o longe
e a madrugada.

Há um caminho
preso no vento
estou sozinho
em pensamento.

A noite esvai-se
não minha dor,
silêncio cai
e apaga a flor

que antes dormia
sono poético
além poesia
de rima e verso.

E assim eu sigo
por noite e dia
palavras tiro:
... boca vazia.

Sombra vai só
com a outra face
que espelha o nó:
no seu disfarce

da romaria...
seu passo lento
levou o dia
meu sentimento.

Basilina Pereira

NOITE


NOITE

Minha noite confunde-se com o oceano.
O silêncio que se esconde em meus olhos
camufla os vagalhões submersos
que se agigantam em ondas colossais.

Angústia, solidão, mágoa,
anseios, medos e dúvidas...
são as cores que cintilam entre as marolas
e se espalham com a maresia.

Lá no alto, as estrelas me desafiam
em apelos quase suicidas
por conta de um brilho antigo,
quase extinto...
que não sei mais onde guardei.

Entre as horas, minha seiva reluta.
Há um cálice mudo,
molhado ainda de amor
e um vento sutil a murmurar
que os sonhos navegam no escuro
e não deixam rastros na areia.

Basilina Pereira

segunda-feira, 8 de abril de 2013

RAZÃO E SENSIBILIDADE


RAZÃO E SENBILIDADE

A razão viaja num tempo
em que as pequenas flores
ficaram diluídas na memória,
sem néctar e sem abelhas.

Voz da razão,
onde está sua sensibilidade
pra ver com olhos de criança,
com o encanto da inocência,
onde todas as possibilidades
jorram de um brilho no olhar?

Basilina Pereira

PREVISÃO DO TEMPO


PREVISÃO DO TEMPO

Hoje o meu coração amanheceu com cheiro de chuva.
Olhando pela janela vejo nuvens furta-cores
e sinto um vento brando sussurrando magnólias,
enquanto o orvalho sinaliza:
não importa a estação!
No ar: prenúncio de tempo bom
lá pros lados da emoção.
À minha frente, a estrada nova
diz que vida é este instante...
Quanto vive a borboleta?
Acaso é menos fascinante?
Na memória sopra a brisa
salva o amor que ainda desliza
e atrás vem a saudade.
Abro os braços num sorriso
é tudo de que preciso
pra que o sol volte a brilhar.

Basilina Pereira





sábado, 6 de abril de 2013

PRIMAVERAS

PRIMAVERAS

Mais um aniversário.
Que mais posso desejar neste dia?
Acordo com uma orquestra de pássaros,
Abro a janela e muitas orquídeas me sorriem
com seu colorido sempre único
e algumas até me presenteiam com seu perfume.
A minha alma cultiva sorrisos
num universo que, em amor, delimitei:
minha família, meus amigos e a poesia.
Paro e penso...
A primavera se aproxima e já contei muitas delas
nem todas belas, mas vivi e ultrapassei.
Hoje sei que, se a brisa nos acaricia pela manhã,
é porque escolhemos deixar as janelas abertas.
Sempre há riscos: rajadas mais fortes,
redemoinhos e até tufões,
mas os perigos são o molde
por onde a lua brilha e a vida
faz valer o caminho.

Basilina Pereira


IMPROVISO


IMPROVISO

Estou com sede de poesia.
Os olhos querem marola
e a alma busca alegria.

Vou sonhar com seu sorriso
só pra ver se sua boca
me chama assim, de improviso,

e traga um verso bem plantado
no jardim que imaginei
percorrer todo a seu lado.

Basilina Pereira

segunda-feira, 1 de abril de 2013

DESCONCERTO


DESCONCERTO

Procuro meu lugar no tempo
fui de ontem
sou de hoje
... de amanhã?
Busco meu lugar no espaço
aqui

acolá?
Leio poetas antigos,
viajo, aprendo, ensino,
sigo o risco do destino
que não é outro, desde então.
Pesco poetas modernos
na sua ânsia hodierna, são tantos:
perdidos, sofridos, atônitos...
O mundo inteiro me desconcerta
e esta vida é muito instável.
De inevitável, só a morte
e os impostos, por ora!

Basilina Pereira