sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
PASTORA

PASTORA
Sou pastora da poesia
cavalgo versos de anis
se rimo a noite com o dia
não sei bem por que o fiz.
Mas não consigo outras plagas
Outra forma de rimar
se solto a letra e as mágoas
esse é meu jeito de amar.
E assim caminho entre as linhas
do poema inacabado
catando dores tão minhas
vislumbrando o outro lado
onde o soneto não dorme
sobre um poema concreto
e a práxis vige conforme
seu próprio corpo e contexto.
Sou pastora da poesia
sob a chuva ou sob o sol
e as palavras, quem diria!
São a isca em meu anzol.
Basilina Pereira
ÊXTASE

ÊXTASE
Tudo começa de mansinho.
Há um arrepio que percorre o corpo,
um leve tremor de mãos e um rubor sutil
que aflora à face até quase derreter o olhar.
Olhos nos olhos, feitiço, centelha ardente...
a proximidade tão esperada é tímida,
ponta de dedos, macios,
relâmpagos de uma visão consentida
rumo ao ponto de chegada.
O toque, antes suave,
agora cresce, ousa, arrebata,
não há mais joio nem trigo,
só estrelas piscando à luz do dia,
um querer mais...ah! a libido!
afoita inflama, borbulha...
até que, ao fim, o momento
explode, em êxtase,
e o tempo perde definitivamente o sentido.
Basilina Pereira
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
A PORTA

A PORTA
Cresci vendo aquele muro
e aquela porta.
E a dúvida sempre ali:
o que haverá por trás
desse amontoado de tijolos
e o que esconde essa fechadura
sinistra, enferrujada e escura?
As perguntas ora protegem,
ora impedem o próximo passo,
o ato de vencer o medo
e engolir o segredo.
Mas há a dúvida:
essa que nos mantém atados,
como uma cortina na face
ou um céu de chumbo
que faz a vida parecer monocrática
à espera da queda ou do susto,
esse sim, nos fará aproximar...
girar o trinco e entrar.
Basilina Pereira
ATRAÇÃO

ATRAÇÃO
Cheiro de mistério
impregna minha narinas ensolaradas.
Há uma ameaça de nuvem cobrindo meu rosto
e o ar quente magnetiza meus olhos e minha mente.
Um arrepio me percorre o corpo
e as pernas trêmulas atropelam o passo
encolhido em sua insegurança momentânea.
Sua presença abre uma cratera
de medo, prazer e paixão
que escorrem pelos poros
até o limite da lucidez.
Com as mãos molhadas descubro
que a gente renasce, às vezes.
Basilina Pereira
TARDE DE DOMINGO

TARDE DE DOMINGO
A tarde na varanda desafia a minha imaginação.
A rede silenciosa e cansada recusa-se a colaborar,
esticada em seus punhos de
algodão doce.
Os pássaros do jardim, em tarde de gala,
executam seu pequeno concerto vesperal
sob a regência de um
colorido bem-te-vi,
a percussão do
“fogo-apagou”e
o coral de inúmeros pardais.
Borboletas amarelas desenham círculos entre as orquídeas,
pousando aqui e ali em
sua jornada simples e óbvia.
O vento parece ter se escondido nas cavernas
tamanha a quietude das folhas...
E eu me sinto parte desse mundo
e pergunto a meus pensamentos
como semear este momento de paz?
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