sábado, 25 de agosto de 2012

O ABRAÇO

O ABRAÇO

Trave o momento.
Ele é um só,
é único.
Tranque com trinco, com tranca,
prolongue o abraço ao máximo
e guarde essa emoção,
ela poderá não voltar.


Basilina Pereira
ESCOLHAS

São tantos caminhos!
uns floridos, em outros espinhos
e a incerteza a uivar diante de minha janela,
onde olhos esfumaçados chamuscam as fendas
da minha inquietação.
E há ainda as oferendas,
aquelas que prometem fortunas, louros,
como se fosse fácil encontrar tesouros
ao longo de escadas tortas e assombradas.
Quero conselhos, mas conselhos não há,
quero respostas, certezas, será?
São tantos caminhos e eu sou um só.
Minhas dúvidas rasgam o espelho sem dó
e a esfinge se apresenta à minha frente
em forma de opções, suplício latente,
escolhas que não posso mais adiar,
devo abrir a porta (supostamente) certa e passar.

Basilina Pereira
 

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

CALHAS

Diversas batalhas
escorrem nas calhas,
fazendo da luta
ignóbil conduta.

Afoitos guerreiros
pra serem os primeiros
 avançam o limite
em mísero palpite.

Batalhas honestas
medidas nas frestas
de antigos valores
viraram favores

e o circo prossegue,
embora alguém negue
que a vergonha acabou
e a corrupção grassou.

Não há CPI
no palco ou aqui
que vá devolver
a fé no poder.


Basilina Pereira

 
INSPIRAÇÃO

Hoje o dia me levou a inspiração.
Cá no meu canto, calado,
procuro a cor no horizonte
e os grilos em sua cantoria
vêm me lembrar
que sem tinta
não se pode pintar.
É preciso a lágrima
pra lavar os dissabores de ontem
e preparar os olhos
para o sorriso da alma.
Sei que ele está em algum lugar, latente,
como a semente embutida na flor
e, a qualquer momento, se desdobrará em sombra
para florir canções e primaveras.
As rimas também nascem do silêncio,
aquele colhido em noites de lua
quando as cigarras se quedam mudas
extasiadas de tanto esplendor
e os cães enluarados espreitam, de orelhas em riste,
mas sucumbem ao brilho das estrelas.
Só o meu peito continua travado.
Recordo uma canção antiga
que minha mãe cantava sem alegria
e aguardo que um sopro retorne com o vento da tarde
e traga a notícia de que o verso ainda vive.

Basilina Pereira
 

ARABESCOS

Rabisco meus sonhos dentro do espelho
pra que a memória os resgate
antes que a névoa da noite
os transforme em séculos perdidos.

Lá no alto pedaços de alegria mesclam-se
com lembranças ardentes e perdem-se
entre as muralhas do tempo.

Trago no peito, latente, o desencanto.
Cato estilhaços de um amor sonhado
como quem busca gotas de orvalho
na escuridão.

Lá no alto, uma estrela não diz pra onde vai
ignora que a saudade me sangra em cada olhar.


Basilina Pereira
 

sábado, 11 de agosto de 2012

CONVITE

VEM AÍ MEU NOVO LIVRO, DESTA VEZ UM ROMANCE

quarta-feira, 4 de julho de 2012

REFÚGIO

REFÚGIO

Escondo-me nos livros que leio.
Entro de mansinho e, ao menor descuido do autor,
aposso-me da sombra das palavras e,
 como quem veio na brisa,
pastoreio a transparência dos sons na ressonância dos ecos.
Aspiro o néctar que se desprende das letras
e, no esplendor de tantas possibilidades,
mergulho... para ressurgir iluminada
 como quem se banhou em labaredas
 e viu sua aura refletida no fio de uma adaga.


Basilina Pereira