domingo, 18 de outubro de 2009

CANÇÕES AO LUAR

CANÇÕES AO LUAR Aquela música trouxe de volta antigas canções que costumávamos ouvir e dançar. A noite quente, as estrelas fizeram-me flutuar novamente em seus braços, como tantas vezes... ...tantas vezes, ao luar. O silêncio, cúmplice dos anos e guardião, deixou-me adivinhar seu sorriso e sentir o toque de sua mão. Fora do tempo e da vida, flutuei na imensidão do momento e, por um instante, um instante apenas, acreditei de novo que poderia ser para sempre. Basilina Pereira

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

CORAÇÃO MOLDADO

CORAÇÃO MOLDADO Há um coração todo moldado que pensei manter a salvo, mas que nada... está à deriva deste sentimento ingrato, que chora ao cair da tarde e sangra ao nascer do dia. Espalha um clamor ardente no veio escuro da noite e aguarda, com frenesi, o calor de tuas mãos.
Basilina Pereira

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

REBULIÇO DE ALMA

REBULIÇO DE ALMA Guardo ainda aquelas sensações com o mesmo rebuliço de alma. Subversivo momento o que antecedeu o poder da escolha, quase uma convulsão, um impasse de mim mesmo: aceitar a incerteza, a fugacidade do momento e apostar na revoada do amor de um só dia. Nada que não fosse novo... tudo absolutamente imprevisível... e sem tempo para hesitação ou rubores. A pouca luz não escondeu os gestos que, em escalada, inebriaram-se com o cheiro dos lençóis. Há momentos em que o tempo para e...depois de muitos anos, a gente acredita que ele ainda está lá.
Basilina Pereira

ALÉM DO CREPÚSCULO

ALÉM DO CREPÚSCULO Quem é esta flor que irrompe em desalinho feito pássaro na procela? Eu já não a reconheço... Perdi o hábito de pastorear o sentimento que vagava solto em sua frágil felicidade. E eis que, de repente, um tufão... E lá vem ele, aquele descompasso, perdido entre uma batida e outra da velha e cansada emoção. _Flor errante! Quem és tu? Trazes a haste vacilante e a mesma pujança das pétalas, em evidente contraste: sombra e fulgor. Quisera que fosses ainda a metade visível que se reconhece além do crepúsculo e não esta ousadia ingrata que tenta desabrochar e não pode. Basilina Pereira

domingo, 23 de agosto de 2009

EXPECTATIVA

EXPECTATIVA
Estou totalmente pelo avesso. Não sei se assim me faço verdade ou fujo do tempo que não me espera mais. Penso que às vezes é preciso saltar no escuro para não dizer depois que estrada passou e os pés não a seguiram. Como dói a expectativa do tempo que não vivemos: há o medo da volta, o cheiro do mistério, esse pisar em sensações tão intensas e incertas... Quem dera fechar os olhos e vislumbrar todas as chaves na sequência que inventamos. Mas os indícios não revelam onde a ave irá pousar. De certo mesmo, só o momento em que a ousadia consentiu em voar.
Basilina Pereira

sexta-feira, 26 de junho de 2009

TRIBUTO A VÊNUS

TRIBUTO A VÊNUS
O que se faz
quando um fluxo maior que via
decide que é hora da ebulição?
Nem a tarde
com todas as promessas de brisa
é capaz de silenciar o apelo
da fruta que explode em cor
Num convite sensual e abrasante.
Longe ficou o exílio e suas mágoas
e o peito declara que é inaugurada
a hora abissal...
em que o tempo deve parar
para que os corpos, embriagados,
prestem seu tributo a Vênus.
Basilina Pereira

DISFARCE

O amor que valeu nunca morre,
ele até se recolhe
a um estado de latência inofensiva
e permanece obscuro
por quanto tempo durarem as estações.
Mas toda vez que uma música
ou um fato especial
acionar a corda da memória
surgirá um nó infesto na garganta
e um gosto de lágima
a rondar os olhos
pronto a revolver o tempo
tão longe...tão perto e igual.
Como se o sentimento remoto
tivesse vencido as agruras do caminho
e, por disfarce, ficado apenas adormecido
no entreposto da saudade.
Basilina Pereira