terça-feira, 9 de junho de 2009

O QUE RESTOU Remexendo numa velha caixa encontrei um pedacinho do passado: dobrada numa flor estilizada uma folha amarela simples – ela – a carta que não mandei por que mesmo? Já não sei. Só me recordo de outras tantas perfumadas, desenhadas, sempre com o mesmo sinal combinado, bem do lado, símbolo daquele amor. Mas o que não partiu, chegou por outra folha de igual teor... tantos anos, a saudade e o que restou de uma flor. Basilina Pereira
MEU ACERVO
Até já ouvi dizer que sou bonita, será? Com que olhos me apreciam com que siso me avaliam aqueles que só no espelho conseguem alcançar meu brilho? Há bem mais por sob a lente que nem todo olhar de ave é capaz de perceber. Só a refração do sentimento, aquele que emerge das perdas silenciosas e se consolida na quietude do tempo, é capaz de revelar a verdadeira beleza que cultivo em meu acervo.
Basilina Pereira

segunda-feira, 18 de maio de 2009

O SILÊNCIO O silêncio é ancestral. Nele vivemos as angústias passadas e os medos futuros... Quando ele se quebra nem sempre é a fonte que jorra, não é como descobrir uma mina: espontânea, gratuita, fácil... Impera uma impressão de sufoco apto a impedir o próximo passo nesse deserto de existência muda. E como dói... Basilina Pereira

quinta-feira, 2 de abril de 2009

ROSA DE PEDRA
Busco consolo nos versos ao derramar palavras sobre a vida. Sou qual a rosa de pedra que ali eclodiu e ficou: em aparência. Assim como a casca da árvore tem a sua forma, mas não a essência, vou vivendo da hora não repetida e tentando entender a esperança. Eu coexisto com o oco do sentimento. Procuro fecundar o prazer, fecho os olhos em busca do sorriso incandescente: sangue partido de uma aurora distante. Cato na lua a semente do sonho ela é única em nossa órbita. Serei única também? Basilina pereira

quarta-feira, 25 de março de 2009

REVOADAS
Como um esboço inacabado, vivo em revoadas, o que me salva são meus pensamentos, que transformo em palavras. Porque palavras têm luz... elas revestem aquele murmúrio que desliza por nossas veias até desaguar na foz do mistério de que somos feitos. Não quero questionar a eternidade, só viver da imaginação, esta que disfarço em poesia, porque o poema se faz de coragem ou quem sabe de covardia? ...vez que exala em cada verso um sentimento não resolvido.
Basilina Pereira

sexta-feira, 20 de março de 2009

A DRACULA BELLA
Invejo os cavalos selvagens na sua alegria indócil. A minha liberdade é limitada pelo eflúvio que exala do medo... aquele receio de ser nebulosa e embriagar-me no transe do momento. O mundo é orquestrado na aparência: homens se matam enquanto as flores murcham e grandes segredos perdem-se entre o pensamento e as palavras. Mas eu busco a beleza dos extremos... Lá no fundo da gruta escura, onde o sol é uma lembrança remota a Dracula bella floresce. Basilina Pereira

segunda-feira, 9 de março de 2009

A MULHER QUE SOU
Descrevo a mulher que sou: versátil, fecunda, fluida... não sei bem por onde vou, mas sigo a trilha dos druidas. Falo a linguagem do amor neste terraço do mundo se encontro miséria e dor acelero e vou mais fundo. Sempre tem dias de chuva e de assobio no escuro, mas quem tem mão salva a luva, sonho atrevido é futuro. Nado em audácia e leveza com charme de lua cheia, tem mistérios, com certeza, o que me corre nas veias. Mas como toda mulher sou força que para o vento quem foca o alvo e o quer vai além do pensamento. Basilina Pereira