quarta-feira, 10 de setembro de 2008

POEMETO DO CAMINHO

POEMETO DO CAMINHO
Hoje o meu passo foi incerto. O caminho? Quem disse que era perto? Nuvens escuras a prenunciar tempestades e meu coração quer a verdade... livre das chagas de então: só minha imaginação, outro risco na memória e uma nova trajetória. Basilina Pereira

EU SÓ QUERIA DIZER

EU SÓ QUERIA DIZER... Eu só queria dizer que te amei e se quiseres saber por quê? não sei. Não perguntes aos ponteiros do relógio por que ele gira em maratona sem pódio. Vendo a noite grudada na parede bebi teu hálito em frenesi de sede e contando estrelas até o amanhecer pintei a vida, o amor que eu queria ter. Amei-te entre a harmonia e o descompasso palmilhei cada centímetro deste laço que prendeu minha afeição:prisão perpétua, fez meu coração girar como um atleta enquanto a tarde martelava no vazio... - Por que resisto a esse sopro tão frio? Porque o amor, em si, não sabe a hora de fechar a porta e ir embora. Basilina Pereira
VITÓRIA DA SAMOTRÁCIA Dize-me, estátua guia, se cantas ou choras enquanto teus pés tateiam, à procura de um verso flutuando no universo e um caminho, que nunca chega. Conta-me que deus louco te plantou asas ...sem cabeça. Fala-me das coisas que deixaste de ver, dos perfumes que não sentiste, da música, do sonho e dos sabores imaginários. Confessa-me, pássaro cego, mágico encantador de almas, acaso escolheste a liberdade? Basilina Pereira

terça-feira, 2 de setembro de 2008

OUTROS MOTIVOS DA ROSA

OUTROS MOTIVOS DA ROSA Ser rainha do canteiro não é seu fito primeiro nem a mais bela das flores que dita versos e amores. Ser rosa é vencer o espinho correr por tênue caminho, ser luz que enfeita a manhã com cor e tom de artesã. Vejo ainda outros motivos: uma brisa, um ar furtivo, um caminho de perfume que, qual flecha, acende o lume das estrelas que, apagadas, choram, querem ser amadas, pela lua e seu clarão numa noite de verão. Ser rosa é não ter vazio, vencer o outono e o frio do inverno e, de alma nua, desabrochar em plena rua. Basilina Pereira

O LAGO

O LAGO No espelho das águas, a imagem ilusória da minha face. O silêncio de veludo recusa: o pensamento perdido, a desilusão das flores, a felicidade remota... A solidão pode ser boa companhia bastam: um lago, muito verde e a contemplação. Basilina

POEMA DE LUZ 2

POEMA DE LUZ 2 Corais, anêmonas, cantai! que o tempo ainda vige e a noite conserva o brilho do sol. As cores permanecem morenas e os homens ainda se apaixonam. Cantai, que mundo é sábio... Vem o verão e derrete os fantasmas e conserva as pétalas e proclama o império da luz, em um sorriso. Basilina Pereira

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

A NOITE

A NOITE Cai a noite. Enquanto a luz espreguiça escolhemos ver: um céu sulfúrico ou um horizonte de ouro. Pela fresta do olhar, metade de uma estrela espia se acaso não há, por ali, um ladrão de céu. E como prelúdio lunar vão surgindo nesgas de escuridão em formato evanescente dispostas a dançar com as nuvens enquanto decidimos se queremos sonhar com as flores ou esperar amanhecer. Basilina Pereira