sexta-feira, 9 de maio de 2008

CAMUFLAGEM

CAMUFLAGEM Não sei se a dor chegou com a tarde ou com o vento que balançou as cortinas do tempo e fez voar a poeira que parecia dormente, camuflada entre os lapsos de silêncio. Ou talvez ela tenha voltado pra espantar o limbo que vivia a escoltar meus pensamentos perdidos entre o resto de memória. O tempo é traiçoeiro. Se por um lado ele eterniza momentos desafiando o muro dos séculos, há o perigo incrustado nos enredos efêmeros quando o corpo e o espírito submissos descuidam da tessitura do veio, fazendo com que a música se apague. São fios de uma mesma meada que tecem o começo e o fim, em descompasso, quando a alma não resiste e sons emaranhados sopram o fogo que torna o horizonte encharcado e escuro como uma explosão nuclear. Sentimentos perdidos, anseios quebrados, por que regressam? Estavam tão bem guardados! Basilina Pereira

domingo, 3 de fevereiro de 2008

MANHÃ de CARNAVAL

MANHÃ DE CARNAVAL Quem nunca sonhou um dia com uma bela fantasia, brilho, luzes, aquarela, como se vê na novela? Leveza das bailarinas com asas de purpurina, confetes no coração liberando a emoção? Na passarela da vida temos muitas avenidas uma retas, outras tortas, o que vale é achar a porta, aquela que dá passagem ao nosso grito de coragem e liberta a alegria que almejamos todo dia. No labirinto da alma minotauro pede calma é preciso ousadia pra vestir a fantasia e dançar aos quatro ventos a marchinha do momento, espalhar sorriso e graça, dormir no banco da praça, dançar com a mulata louca, não perder beijo na boca, mesmo que a manhã seguinte só traga a rua e o pedinte. Basilina Pereira

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

BEIJO ASSOPRADO

BEIJO ASSOPRADO Inda hoje me lembro... Nossos vultos pisando sonhos, falando ao vento na encruzilhada, olhos perplexos, frases sem nexo, que só nós entendíamos com o olhar... Aquela música assobiada do filme que não vimos, mas ouvimos falar, a emoção contida, a vislumbrar dias futuros, atrás dos muros de nossa ingenuidade. O contorno da praça ainda pergunta pelos passos que sumiram nas curvas da vida, a espera do abraço, que nunca veio. E aqueles silêncios...tão eloqüentes! Só maculados pelas batidas de nossos corações. Lembranças rasgadas...estrelas apagadas... Foi tudo que restou, além de um único beijo – assoprado. Basilina Pereira

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

A PERGUNTA

A PERGUNTA De letras mortas e mal pintadas junto pedaços de quase nada. São marcas vivas, flama do tempo, que como espumas sumiu no vento. Por mais que sofra esboço um canto faço a pergunta que queima o pranto: tantos caminhos por onde andei por que motivo não te encontrei? Penso nos dias de devaneios, penso nos meses - o sol não veio. Restam os anos, rugas, espantos, tantos enganos só não sei quantos. A tarde é calma chama a poesia, só uma imagem me desafia... Basilina Pereira

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

QUASE POESIA Em algum lugar as horas esperam. Há um canto querendo nascer pra colorir a manhã de orvalho. Em algum lugar as pedras choram. Os homens não perceberam que o paraíso é aqui, o seu tempo é hoje, agora, e a flor é quase poesia.
Basilina Pereira

sábado, 22 de dezembro de 2007

DESPEDIDA

DESPEDIDA Se “há o tempo de plantar e o tempo de colher”, há uma vida pra lembrar do que se quer esquecer. O coração tem seu momento além do chão e da vida resta-nos tão-só o alento e um sabor de despedida.
Basilina Pereira

sábado, 8 de dezembro de 2007

ENCANTAMENTO

ENCANTAMENTO Cedo ou tarde, não importa o que vale é abrir a porta, preparar o coração e desatar a emoção e um palco de céu azul, cascatas de norte a sul eternizarão o momento em que emerge o encantamento. Não se trata de utopia tampouco sonho ou magia é simples feito criança e existe além da esperança. Basta apenas um olhar daqueles: sem medo de amar que está feita a descoberta bem perto e na hora certa. Basilina Pereira